Jovem diz ter sido espancado por bolsonaristas antes de ato pró-Lula no Rio

Maicon André relata ter sido agredido por três homens em Campo Grande; ocorrência registrada na 35ª DP aponta roubo de celulares e outros pertences
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Por Felipe Rabioglio

Um jovem que se dirigia a uma manifestação em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), relata ter sido espancado por três homens que identificou como bolsonaristas, em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. O episódio ocorreu na terça-feira (13), nas proximidades de uma unidade do Habib’s. A vítima sofreu ferimentos, precisou de atendimento hospitalar e registrou uma ocorrência na 35ª Delegacia de Polícia, conforme documento obtido pelo ICL Notícias.

Em relato à reportagem, o jovem, que não será identificado por segurança, contou que caminhava sozinho, cerca de 100 metros à frente da manifestação, quando passou por um grupo que gritava e reproduzia músicas em volume alto. Segundo ele, apenas observou as pessoas enquanto seguia seu caminho, mas um dos integrantes se incomodou com seu olhar e começou a provocá-lo.

De acordo com o jovem, um dos homens questionou por que ele estava olhando para o grupo. A vítima respondeu e continuou caminhando, mas, ao atravessar a rua, foi confrontado por outro integrante, que vestia uma camisa do Brasil. O homem passou a provocá-lo e desafiá-lo para uma briga.

Socos e chutes enquanto estava no chão

“Qual foi, neguinho? Quer sair na mão?”, teria gritado o homem, segundo o relato da vítima.

O jovem afirmou que não queria brigar e tentou apenas impedir que o agressor o atingisse. Nesse momento, outro homem começou a golpeá-lo, fazendo com que ele soltasse o primeiro e tentasse fugir.

Durante a tentativa de escapar, o jovem foi derrubado por um dos envolvidos. Um terceiro homem também teria participado do ataque, segurando-o para que os demais continuassem as agressões.

“Eu caí no chão para tampar o rosto. Aí vieram os três me chutando e me socando”, relatou ao ICL Notícias.

A vítima contou que conseguiu escapar depois de empurrar um dos agressores e correr entre os veículos parados no trânsito. Segundo ela, os homens não a seguiram porque precisariam atravessar a movimentação de carros.

O advogado de direitos humanos Rodrigo Mondego, que acompanha o caso, afirmou que havia aproximadamente 15 pessoas na concentração que identificou como bolsonarista, nas proximidades do Habib’s. Segundo ele, os integrantes teriam percebido que o jovem se dirigia à manifestação pró-Lula e começado a insultá-lo antes da agressão.

Pernas de Maicon ficaram feridas (Foto: Arquivo Pessoal)

Dois celulares, carteira e carregador foram roubados, aponta registro

Além das agressões físicas, a vítima relatou o roubo de dois aparelhos celulares, uma carteira e um carregador, conforme o registro de ocorrência.

À reportagem, o jovem contou que um dos telefones caiu no chão enquanto tentava se proteger dos golpes. Segundo ele, uma pessoa tentou recuperar o aparelho, mas não conseguiu devolvê-lo à vítima.

O caso foi registrado na quarta-feira (14), na 35ª DP, em Campo Grande. O documento formaliza a denúncia apresentada pela vítima sobre a agressão e a subtração de seus pertences.

De acordo com Mondego, o jovem procurou atendimento hospitalar em razão dos ferimentos e compareceu ao Instituto Médico-Legal (IML) na manhã desta quinta-feira (15).

Manifestação em Campo Grande (RJ)

O episódio ocorreu na terça-feira (13), durante uma manifestação em apoio ao presidente Lula no bairro de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio. O ato reuniu apoiadores do governo federal na região do West Shopping e percorreu vias do bairro, incluindo a Avenida Cesário de Melo.

O jovem afirmou que estava vestido de preto e não usava roupas ou acessórios que o identificassem com o Partido dos Trabalhadores (PT) no momento da agressão.

Até o momento, não há confirmação pública de que os agressores tenham sido identificados ou de que a Polícia Civil tenha estabelecido a motivação do episódio.

O ICL Notícias procurou a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro para solicitar informações sobre o registro da ocorrência, o andamento das investigações e a possível motivação política da agressão, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.

Carregar Comentários
Assine nossa newsletter
Receba nossos informativos diretamente em seu e-mail