Jovem sofre traumatismo e perde movimentos após passeio em montanha-russa do Hopi Hari

Júlia Bossoni sofreu traumatismo cranioencefálico, passou por sete cirurgias e perdeu os movimentos do lado esquerdo do corpo; Ministério Público pediu perícia na atração
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O Ministério Público de São Paulo investiga o caso de uma jovem que sofreu traumatismo cranioencefálico e perdeu parte dos movimentos do corpo após andar na Montezum, montanha-russa do parque Hopi Hari, em Vinhedo, no interior paulista. Júlia Bossoni passou por sete cirurgias e, cinco meses depois do episódio, continua em processo de reabilitação. A informação foi dada pelo “Fantástico”, da TV Globo.

O caso ocorreu em abril, quando Júlia visitou o parque acompanhada do namorado, João Pedro Bossoni. Os dois foram duas vezes à Montezum no mesmo dia. Na segunda passagem pela atração, câmeras mostram a jovem consciente durante a subida do carrinho. Cerca de dois minutos depois, ela retorna à plataforma desacordada.

Júlia foi retirada da atração em uma maca e levada à Santa Casa de Vinhedo. Exames identificaram hemorragia intracraniana e um grande edema cerebral, o que levou os médicos a realizarem uma cirurgia de emergência. Ela permaneceu internada por 57 dias.

Segundo laudo médico citado pela reportagem do Fantástico, o traumatismo foi provocado por um mecanismo de contragolpe durante o passeio.

De acordo com a família, Júlia não apresentava doenças preexistentes. Atualmente, ela não movimenta o braço e a perna do lado esquerdo e também enfrenta dificuldades na fala e problemas de memória. A jovem realiza fisioterapia, terapia ocupacional e acompanhamento com fonoaudiólogo.

MP investiga atração

O Ministério Público de São Paulo abriu uma investigação sobre o caso e solicitou uma perícia policial na Montezum. A família de Júlia também recorreu à Justiça para pedir uma avaliação técnica que ajude a esclarecer as circunstâncias do episódio.

A Montezum foi inaugurada em 1999 e é considerada a maior montanha-russa de madeira da América Latina. A estrutura tem cerca de 42 metros de altura e os carrinhos podem atingir 103 km/h.

A atração já esteve envolvida em outros casos de lesões. Em 2018, Nathalia Assenjo Motta sofreu deslocamento de vértebras após andar na montanha-russa e precisou colocar 12 pinos e duas hastes na região cervical. Ela recuperou os movimentos do corpo, mas perdeu mobilidade no pescoço.

Em outro episódio, ocorrido em 2014, Márcio ficou tetraplégico após passar pela atração. Ele morreu em 2023 em decorrência de complicações de uma infecção urinária. Segundo o advogado que atuou no caso, um laudo apontou que o problema neurológico que provocou a tetraplegia ocorreu após um chamado “movimento de chicote”.

A reportagem do Fantástico também identificou ao menos 40 registros feitos nos últimos dois anos em uma plataforma de reclamações por pessoas que afirmam ter sofrido algum tipo de lesão após andar na Montezum. Entre os relatos estão dores no pescoço e lesões no joelho e nas costelas.

O que diz o Hopi Hari

Em nota, o Hopi Hari afirmou que a Montezum possui certificação internacional emitida pelo grupo TÜV Nord e passa por inspeções anuais, além de seguir normas nacionais de segurança para parques de diversões.

Sobre Júlia, o parque disse que a jovem recebeu atendimento de acordo com os protocolos de segurança e que acompanhou o período de internação, custeando despesas durante sua permanência em Vinhedo. O Hopi Hari também afirmou ter disponibilizado um seguro à família.

O parque citou ainda um parecer do Ministério Público, de agosto deste ano, que apontou não haver risco coletivo, defeito no projeto da atração ou negligência. Em relação aos casos anteriores, o Hopi Hari ressaltou que ocorreram antes de 2019, durante outra administração.

Sobre as cerca de 40 reclamações registradas nos últimos dois anos, o parque afirmou que elas representam uma parcela pequena diante de aproximadamente 1,2 milhão de visitantes que passaram pela Montezum no período. A atração tem uma reforma prevista para o fim de 2026.

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