Circo da direita, Janja e fake news: por que Lula decidiu não ir ao debate da Globo

Edinho Silva e Sidônio Palmeira defendiam a presença de Lula; temor de ataques, direitos de resposta e cortes nas redes pesou na decisão
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Por William De Lucca

A decisão de Lula (PT) de não participar do debate presidencial da Globo, marcado para esta quinta-feira (1º), não foi consensual dentro do entorno do presidente.

Segundo fontes próximas a Lula ouvidas pelo ICL Notícias em reserva, havia no PT quem defendesse que o presidente fosse ao encontro. Entre os nomes que sustentavam essa posição estavam o presidente nacional do partido, Edinho Silva, e o marqueteiro Sidônio Palmeira.

A avaliação desses setores era de que Lula deveria ocupar o espaço, apresentar suas propostas e enfrentar os adversários no último grande debate antes do primeiro turno. No fim, porém, prevaleceu uma avaliação diferente.

Lula não queria participar e, segundo as fontes ouvidas pelo ICL Notícias, a primeira-dama Janja Lula da Silva também desestimulou a ida do presidente. No segundo turno – caso ele aconteça – um debate apenas entre Lula e Flávio Bolsonaro é visto como favorável ao presidente por colocar os dois projetos, sem ruídos, lado a lado para avaliação dos brasileiros.

O receio era de que o debate se transformasse em uma espécie de “circo” armado pelos adversários de direita para concentrar ataques em Lula. A avaliação entre pessoas próximas ao presidente era de que, em vez de uma discussão sobre propostas, o encontro poderia ser dominado por provocações, acusações e uma sucessão de pedidos de direito de resposta.

O precedente do primeiro debate presidencial da eleição, realizado pela Band em agosto, reforçou essa preocupação. Sem Lula e Flávio Bolsonaro no palco, Renan Santos e Ronaldo Caiado fizeram críticas aos dois candidatos durante o encontro.

Renan Santos entrou na conta

Outro fator que pesou foi a possibilidade de Renan Santos participar do debate da Globo.

O candidato do Missão recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta quarta-feira para tentar garantir sua presença no encontro. A legenda argumenta que Renan deveria ser incluído entre os participantes.

A eventual entrada de Renan aumentava, na avaliação de aliados de Lula, o risco de o debate se transformar em uma sequência de ataques ao presidente. O entendimento era de que uma decisão judicial favorável ao candidato do Missão, tomada às vésperas do programa, tornaria ainda mais difícil prever o tom do encontro.

Havia ainda uma preocupação adicional: o que aconteceria depois do debate.

Falta de checagem preocupa

Como não haverá uma checagem em tempo real das afirmações feitas pelos candidatos, fontes próximas ao presidente temiam que adversários conservadores usassem o palco para fazer provocações e apresentar informações falsas ou distorcidas que pudessem, posteriormente, ser transformadas em cortes para as redes sociais.

A preocupação não era apenas com as duas horas de transmissão. Era com a disputa pela narrativa nas horas seguintes, quando trechos isolados do debate poderiam circular pelas redes sem o contexto da discussão ou uma contestação imediata.

Esse conjunto de fatores acabou pesando mais do que os argumentos daqueles que defendiam a presença do presidente e ele acabou confirmando à Globo que não participará do debate. No mesmo horário, estará no podcast Flow, em uma entrevista que, para seus aliados, oferece maior controle sobre o ambiente e sobre os temas que serão discutidos.

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