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Por Ana Gabriela Oliveira Lima

(Folhapress) – A disputa para o Senado em São Paulo está embaralhada com Marina Silva (Rede) numericamente à frente, mas empatada tecnicamente com Simone Tebet (PSB), que, por sua vez, tem empate técnico com Ricardo Salles (Novo), mostra nova pesquisa Datafolha.

Marina aparece com 18% das intenções de voto, Tebet com 16% e Salles, com 13%. O deputado federal é seguido por outros representantes da direita, o deputado estadual André do Prado (PL), com 11%, e o deputado federal Guilherme Derrite (PP), com 10%.

O deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade) tem 8%. Outros 17% dos eleitores afirmaram que votariam em branco, nulo ou em nenhum candidato, enquanto 7% não souberam responder.

O cenário estimulado aceitou a indicação de até dois nomes por respondente, uma vez que, nas eleições de 2026, o eleitor votará em dois candidatos para o Senado.

O levantamento foi realizado de 1º a 3 de julho. Foram feitas 1.608 entrevistas no estado de São Paulo, distribuídas em 71 municípios, com a população de 16 anos ou mais. A margem de erro máxima para o total da amostra é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob os números SP-01703/2026 e BR-06481/2026.

Além do empate técnico visto entre os pré-candidatos que estão na dianteira, a distância de 10 pontos percentuais entre o mais citado, Marina Silva, e o menos citado, Paulinho da Força, mostra a disputa acirrada para as vagas no Senado em São Paulo.

Na pesquisa espontânea, quando os nomes não são apresentados aos respondentes, 81% dizem não saber em quem votar. Nesse cenário, ficam à frente, com 3% das menções, Tebet e Derrite, seguidos por Marina e um “candidato do PT “, com 2% cada. André do Prado e Salles aparecem com 1%.

Para o cientista político Elias Tavares, o resultado da pesquisa mostra significativa indefinição do eleitorado, com a disputa ainda pouco consolidada, em um cenário no qual figuras de projeção nacional, como Marina e Tebet, levam vantagem inicial.

“Elas já disputaram a Presidência da República, são nomes conhecidos pelo eleitor brasileiro e permanecem no imaginário. Isso ajuda a explicar por que aparecem mais bem posicionadas.” Outro ponto a considerar, afirma, é que ambas são lidas como mais moderadas, dialogando com diferentes segmentos do eleitorado.

Marina Silva e Simone Tebet deixaram, respectivamente, os ministérios do Meio Ambiente e do Planejamento do governo Lula (PT) para concorrer nas eleições de 2026.

No cenário estimulado, elas são as pré-candidatas que têm melhor desempenho entre aqueles que avaliam como ótimo ou bom o presidente (Marina com 30% das intenções de voto nesse segmento e Tebet, 25%). O desempenho é similar entre aqueles que consideram ruim ou péssima a gestão do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Nesse caso, Marina tem 27% e Tebet, 25%.

Na outra direção, André do Prado se sai numericamente melhor, com 18%, entre aqueles que acham ruim ou péssima a gestão do petista, seguido por Salles, com 17%. Prado também marca 18% em quem acha ótimo ou bom o trabalho do governador, seguido por Salles (16%), ex-ministro do Meio Ambiente de Jair Bolsonaro.

Guilherme Derrite, ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo na gestão Tarcísio, fica na faixa de 15% nos dois cenários. Candidato de Tarcísio para o Senado, assim como André do Prado, ele aposta em ser alavancado pelo governador, que está na frente da corrida para o Executivo do estado.

Segundo o Datafolha, Tarcísio lidera a disputa com 46% das intenções de voto, frente a 30% do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), que fica na segunda posição.

“Historicamente, governadores competitivos costumam ajudar seus candidatos ao Senado, deputado federal e estadual. Isso não é uma transferência automática, mas existe um efeito político importante de associação de imagem, estrutura de campanha e apoio territorial”, afirma Elias Tavares.

Para ele, Derrite tem a seu favor a pauta da segurança pública, que costuma ter apelo significativo junto ao eleitor paulista. “Já André do Prado reúne uma estrutura política robusta, especialmente no interior de estado e entre prefeitos.”

Apesar disso, o cientista político afirma ser importante colocar no cálculo o fato de, nesse pleito, o eleitor escolher dois nomes, o que, segundo ele, reduz a lógica do voto puramente de chapa.

“Um eleitor pode apoiar Tarcísio para governador e, ao mesmo tempo, distribuir seus votos para o Senado entre candidatos de perfis distintos. Nesse aspecto, as candidaturas da Marina e da Simone podem ser particularmente competitivas, porque são nomes que ultrapassam fronteiras ideológicas mais rígidas e podem atrair eleitores de centro, centro-direita e até de setores mais conservadores”, diz Tavares.

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