Mendonça abriu a porta do STF para ala golpista e lavajatista da PF e do MPF

Ministro compromete Corte silenciando sobre vazamentos com alvo certeiro no caso que envolve Fábio Luís da Silva, Roberta Luchsinger e Marco Aurélio Santana
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Usada com abuso e à larga durante a vigência da Lava Jato e a existência da breve e devastadora “República de Curitiba”, a estrutura de produção de falsos indícios de provas, manipulação de dados e vazamentos orquestrados para veículos de comunicação com histórico de hostilidades para com o PT e os governos dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff está de volta ao noticiário nacional no caso do “Triângulo do Lobby”. Há evidente interesse eleitoreiro nisso tudo. A agenda de divulgação dos mais recentes prints e diálogos manipulados do caso obedecem a uma agenda e ao calendário da campanha eleitoral presidencial. Essas advertências foram feitas ao longo da última segunda-feira, 17 de agosto, dentro do Supremo Tribunal Federal.

O ministro André Mendonça assumiu a relatoria das investigações contra Fábio Luís Lula da Silva por meio de uma combinação de prevenção processual originária e sorteio eletrônico do STF. Inicialmente, ele se tornou relator do inquérito principal que apura fraudes bilionárias em descontos de aposentados e pensionistas no INSS (Operação Sem Desconto). Como o nome de Fábio Luís surgiu no escopo dessa investigação — sob a suspeita de ser sócio oculto de um dos operadores do esquema, Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS” —, o ministro passou a conduzir as ações e medidas cautelares envolvendo Lulinha de forma automática por prevenção legal.

Em julho de 2026, a Polícia Federal (PF) solicitou a abertura de novas linhas de investigação contra o filho do presidente para apurar supostos crimes de tráfico de influência e corrupção nos Ministérios da Saúde (envolvendo a comercialização de cannabis medicinal) e na Dataprev. Ao encaminhar os pedidos ao STF, a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR) defenderam que as novas suspeitas tratavam de fatos autônomos e sem relação direta com as fraudes previdenciárias. A intenção técnico-processual era evitar a distribuição automática (prevenção) para o gabinete de Mendonça, permitindo que os processos fossem distribuídos livremente na Corte.

Durante o recesso do Judiciário, o ministro Alexandre de Moraes, no plantão da presidência, acolheu o parecer da PGR e determinou que os novos casos fossem para a livre distribuição por sorteio. No entanto, o sistema eletrônico de sorteio do STF acabou selecionando o próprio André Mendonça como relator de dois desses novos inquéritos. Mesmo com o entendimento de que os fatos eram distintos, o sorteio randômico do tribunal manteve a centralização das principais frentes de investigação sobre o filho do presidente sob a condução do ministro.

O QUE PESA CONTRA O GABINETE DE MENDONÇA

Embora os ministros evitem contestações públicas, o acúmulo de casos sensíveis no gabinete de André Mendonça — que além das fraudes no INSS e dos inquéritos de Fábio Luís e Roberta Luchsinger, também herdou a relatoria do caso Banco Master (após o colega Dias Toffoli deixar o caso) — causou forte desconforto na Corte por duas razões centrais:

·         Desgaste institucional: Alguns dos demais ministros da Corte avaliaram que as decisões rígidas de Mendonça (exigir que a PF entregue dados brutos das investigações diretamente ao seu gabinete e proibir a troca de investigadores sem aviso prévio) criaram uma queda de braço desnecessária com a PF, desgastando a imagem do Supremo.

·         Preocupação com nulidades: Parte do tribunal alertou, nos bastidores, que o tensionamento excessivo com os órgãos de investigação abre brechas jurídicas para que as defesas dos acusados aleguem interferência indevida, o que poderia anular as provas no futuro.

Levantada pela defesa dos citados no inquérito – Fábio Luís Lula da Silva e Roberta Luchsinger, que sequer sabem ainda do que exatamente são acusados e se podem se considerar investigados formalmente, ou não – a preocupação com as nulidades encheu o ministro André Mendonça, nomeado para o tribunal por Jair Bolsonaro por ser “terrivelmente evangélico”, mexeu com os brios do ministro e o fez dobrar a aposta nos despachos diretos com policiais federais que atuam nas ações. A direção-geral da Polícia Federal começou a ser escanteada em todo o processo, bem como procuradores e subprocuradores da República de alas mais legalistas e não lavajatistas do Ministério Público Federal.

A partir da criação desse núcleo processual paralelo no caso das ações que apuram a existência, ou não, do tal “Triângulo do Lobby”, André Mendonça perdeu o controle e a curadoria dos fatos. Pautas prontas para a publicação, com calendário de divulgação casando com o processo eleitoral, começaram a pulular em redações que tangenciam a adesão ao bolsonaristas ou a aderência a alguns dos temas da extrema-direita. O sistema de vazamento de informações manipuladas obedece ao mesmo regime utilizado pela Lava Jato a partir de Curitiba, na força-tarefa comandada pelo ex-procurador Deltan Dallagnol que seguia as coordenadas do ex-juiz Sérgio Moro e tinha anuência do gabinete da Procuradoria Geral da República chefiado pelo ex-PGR Rodrigo Janot e seu valete José Pelela.

DINÂMICA IDÊNTICA AO LAVAJATISMO

A dinâmica da engrenagem que moeu reputações na Lava Jato e criou a atmosfera de “caos denuncista” no país é a mesma dos tempos da nefasta República de Curitiba. Além dos veículos claramente identificados com a extrema-direita como a revista Oeste, o jornal virtual Gazeta do Povo e perfis extremistas mantidos por políticos satélites do bolsonarismo, portais e sites do espectro de oposição ao governo Lula como “Metrópoles”, “Poder360” e veículos virtuais ligados à TV Record (R7) e mesmo às organizações Globo (G1) vêm sendo utilizados na tática de turvar o ambiente eleitoral com os vazamentos manipulados a partir de indícios que deveriam estar sob investigação.

A partir do vazamento orquestrado para o Metrópoles da última colagem de diálogos e prints de telas de celulares que tinham por objetivo construir um enredo artificialmente desconfortável para o ex-chefe de gabinete da Presidência da República, Marco Aurélio Santana, ocorrido na segunda-feira 17 de agosto, o ministro André Mendonça começou a perder suas linhas de defesa dentro do STF. Três ministros do Supremo passaram a tentar arrebatar a opinião ao menos mais dois deles para que o grupo peça ao presidente da Corte, Luiz Edson Fachin, a remoção das relatorias dos casos que envolvem Fábio Luís Lula da Silva do gabinete de Mendonça. O ambiente no STF voltou a ficar muito tenso.

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