Por Cleber Lourenço
O ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, tem afirmado a aliados que permanecerá no governo do presidente Lula após a derrota de sua indicação ao Supremo Tribunal Federal no Senado.
Segundo relatos obtidos pela reportagem, Messias disse que não pediu cargo, não está disputando espaço dentro da Esplanada e que aguarda o retorno de Lula ao Brasil para discutir seus próximos passos.
Segundo esses aliados, ainda não está claro se Lula irá indicar novamente Messias para o STF, tampouco em que momento fará isso, caso tome essa decisão.
Há uma expectativa de que isso só ocorra caso o presidente seja reeleito, o que criaria as condições para bancar novamente a indicação. Por outro lado, o ministro aguarda o retorno de Lula dos EUA para discutir o seu futuro no governo.
Além da permanência na AGU, o nome de Messias também tem sido citado nos bastidores como uma possibilidade para o Ministério da Justiça, em meio às especulações sobre mudanças na Esplanada.
A interlocutores, o ministro tem reforçado que está em “compasso de espera” e que qualquer definição sobre seu futuro dependerá exclusivamente do presidente.
Questionado pelo ICL Notícias sobre as especulações envolvendo uma eventual saída da AGU, Messias apenas afirmou que sua tendência é permanecer no posto, sem se aprofundar nas demais especulações envolvendo o seu nome.
“É um movimento natural meu querer continuar a desenvolver meu trabalho onde eu estou”, disse o ministro.
Nas conversas, Messias também tem destacado que seu único compromisso com Lula é permanecer no governo, independentemente da função que venha a ser definida pelo presidente.
Ele afirma ainda que não tratou diretamente com Lula sobre mudança de cargo e que não pretende antecipar qualquer movimentação antes de uma conversa com o chefe do Executivo.
Apesar da pressão política gerada pela rejeição no Senado, o ministro tem buscado afastar a leitura de que estaria isolado ou fora do jogo político dentro do governo.
Reservadamente, Messias avalia que as especulações sobre sua saída partiram de terceiros e não de qualquer movimento próprio.
No momento, o cenário no Palácio do Planalto é de cautela. Lula está fora do país e ainda não sinalizou publicamente qual será o destino político de Messias após o episódio no Senado.
Até lá, o ministro segue à frente da AGU e mantém a estratégia de preservar o alinhamento com o presidente, evitando entrar em disputas internas por espaço no governo.