Ministros veem volta de Kassio ao caso Master como difícil após novas revelações

Integrantes da Corte avaliam que caso da 'Turma do KN' complicou eventual retorno do ministro
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Por Cleber Lourenço

A possibilidade de Kassio Nunes Marques voltar aos julgamentos relacionados ao Banco Master depois das eleições é vista como difícil por ministros do Supremo Tribunal Federal ouvidos reservadamente pelo ICL Notícias. As revelações recentes sobre a chamada “Turma do KN”, formada por pessoas próximas ao ministro que aparecem em mensagens de Daniel Vorcaro, aumentaram a resistência a um eventual retorno.

A sinalização de Kassio é tratada com ceticismo na Corte. O ministro, que também preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), havia justificado seu afastamento pela necessidade de evitar participação em discussões com possíveis reflexos sobre as eleições. Agora, cogita voltar aos casos depois do pleito.

Desde o afastamento, porém, novas informações aproximaram o entorno de Kassio das investigações sobre o Master. Um contrato previa honorários de até R$ 427 milhões para o escritório da advogada Camilla Ramos caso fossem liberados R$ 8,5 bilhões em precatórios de interesse do banco.

Camilla é mulher do desembargador federal Newton Ramos. O casal é próximo de Kassio e aparece em mensagens encontradas no celular de Vorcaro associado à expressão “Turma do KN”.

As conversas também registram pedidos e benefícios envolvendo integrantes desse grupo. Kassio nega ter solicitado qualquer benefício a Vorcaro, afirma que nunca autorizou terceiros a falar em seu nome e diz que jamais atuou para favorecer o banqueiro ou o Master.

Nesta terça-feira (22), outro elemento aumentou o desgaste. Veio a público que Camilla tem visitado Vorcaro com frequência na prisão. A advogada confirmou os encontros e disse que eles servem para atualizar o ex-banqueiro sobre processos envolvendo precatórios adquiridos pelo Master.

Não há decisão que impeça Kassio de retomar os casos. Ministros ouvidos pela reportagem, no entanto, avaliam que esse conjunto de revelações tornou uma volta mais difícil e sujeita a novos questionamentos dentro da própria Corte.

Fachin é incógnita nos dois lados da crise

A incerteza no STF não se restringe a Kassio. Pessoas próximas a André Mendonça e a Gilmar Mendes ouvidas separadamente pela reportagem dizem não compreender qual é o objetivo de Edson Fachin na condução da crise nem qual saída o presidente do Supremo pretende construir.

A coincidência é relevante porque Mendonça e Gilmar estão em lados opostos na disputa que dividiu o tribunal. Mesmo assim, há nos dois grupos dúvidas sobre os próximos passos de Fachin.

O presidente do STF assumiu papel central no impasse depois do confronto entre Mendonça, Alexandre de Moraes e outros ministros. O julgamento sobre a condução dos casos terminou interrompido após pedido de vista de Flávio Dino, quando o placar estava em quatro votos a três pela separação dos processos.

Desde então, Fachin tem conversado individualmente com integrantes da Corte. O movimento, porém, ainda não permitiu aos dois grupos ouvidos pela reportagem identificar se ele pretende negociar uma solução antes da retomada do julgamento ou deixar que o plenário resolva o impasse.

Com isso, duas questões permanecem abertas na crise: Kassio sinaliza que pode retornar aos processos depois das eleições justamente quando novas revelações tornaram essa possibilidade mais difícil, enquanto os grupos de Mendonça e Gilmar ainda tentam entender para onde Fachin pretende conduzir o Supremo.

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