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Moradores de bairros ameaçados em Maceió acusam Braskem de racismo ambiental

Cidade está em estado de emergência por 180 dias e área mais afetada foi desocupada por ordem da Justiça: 'O que aconteceu aqui não foi acidente, foi crime', reclama morador
1 de dezembro de 2023

Moradores que vivem nos bairros próximos às minas de sal-gema da Braskem denunciam que têm sofrido racismo ambiental. Segundo eles, a mineradora e as autoridades públicas de Maceió e do governo de Alagoas estão preocupadas apenas em evacuar a região, mas sem garantir a solução do problema para a população.

“A comunidade dos Flexais não aceita o racismo ambiental que tem sofrido. Desligaram a água, a população vive numa apreensão gigante com um crime que a Braskem cometeu aqui. Hoje, decidiram fechar todas as vias de Bebedouro. Não passa mais nada”, reclama o morador Maurício Sarmento.

Segundo ele, os moradores dos Flexais, das partes de cima e de baixo, ficaram isolados depois da evacuação obrigatória dos bairros vizinhos. Flexais, que até então não era considerada área de risco, fica ao lado de Bebedouro, região histórica e, atualmente, considerada uma região fantasma.

“O que aconteceu aqui não foi acidente, foi crime. E o crime da Braskem tem que ser punido como tal. Não aceitamos ir para abrigos públicos. Queremos sair daqui com dignidade e com indenização justa”, avisa Sarmento. “Prefeitura de Maceió, Defesa Civil, Ministério Público: não aceitamos a condição de racismo ambiental imposta a nós”, acrescenta.

 

Hoje, a Companhia de Abastecimento D’Água e Saneamento de Alagoas (Casal) emitiu comunicado informando que 15 bairros tiveram o fornecimento de água interrompido por conta do risco de desabamento de uma mina da Braskem.

Por conta da situação em Maceió, foi decretado estado de emergência na cidade por 180 dias. A área mais afetada foi desocupada por ordem da Justiça e a circulação de embarcações da população está restrita na região da Lagoa Mundaú, no bairro do Mutange, na capital.

EXPLORAÇÃO

Por causa da exploração mineral subterrânea realizada na área, vários bairros tiveram que ser esvaziados em 2018. Rachaduras surgiram nos imóveis da região, seguido de um tremor de terra, criando alto risco de afundamento. Mais de 55 mil pessoas tiveram que deixar as casas e, muitas, ainda esperavam ser indenizadas pela saída à força.

A situação dramática em Maceió rendeu ao caso o apelido de “Chernobyl Alagoana”, em referência ao acidente nuclear na cidade de Chernobyl, no norte da Ucrânia, em abril de 1986, quando a região ainda fazia parte da União Soviética.

Recentemente, a Braskem foi condenada pela Justiça a indenizar o estado de Alagoas por danos causados pela exploração de sal-gema. O sal-gema é uma matéria-prima usada na indústria para obtenção de produtos como cloro, ácido clorídrico, soda cáustica e bicarbonato de sódio.

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