Pelo menos dois homens foram mortos na madrugada desta sexta-feira (17), quando um carro parou nas proximidades do metrô de Irajá, na Zona Norte do Rio de Janeiro, e com um fuzil, abriu fogo contra os sem-teto que ali estavam. Um homem saiu ferido.
O ataque ocorreu por volta das 4h da manhã, e segundo a Polícia Militar, as vítimas eram todas pessoas em situação de rua que dormiam sob a marquise da estação, na Avenida Pastor Martin Luther King Júnior.
Foram tantos disparos que cápsulas ficaram pelo chão, e um tiro atravessou a janela de uma casa e parou na televisão. Ninguém na residência foi ferido.

Investigação do ataque aos moradores de rua
A Delegacia de Homicídios da Capital investiga o caso. Uma equipe do 41º BPM de Irajá foi mobilizada até o local, que até às 8h20 da manhã, ainda contava com os corpos no local, aguardando perícia.
Uma das vítimas foi socorrida pelo corpo de bombeiros em estado grave.
Até o momento ninguém foi preso, e ainda não se sabe a motivação do crime.
Nota da Comissão de Direitos Humanos da Alerj
A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) repudia com veemência o ataque a tiros contra pessoas em situação de rua ocorrido na Zona Norte do Rio, que resultou em duas mortes e um ferido. A Comissão está à disposição das famílias para atendimento e irá oficiar a Polícia Civil exigindo celeridade nas investigações, que já estão em curso, acompanhando de perto o andamento do caso.
“Temos acompanhado um avanço perigoso de práticas justiceiras e higienistas no Rio. A ausência de políticas públicas sérias, o aumento no número de pessoas em situação de rua e de abrigos insuficientes jamais pode justificar que alguém saia atirando contra essas pessoas. Hoje, são cerca de 22 mil pessoas vivendo nas ruas da capital, enquanto os abrigos públicos oferecem pouco mais de 3 mil vagas – 7 vezes mais, essa conta definitivamente não fecha. Esses números escancaram a omissão do poder público diante de uma crise social profunda. É urgente garantir políticas de proteção e dignidade, não o aprofundamento da violência.” disse a deputada Dani Monteiro, presidenta da CDDHC.