Motta mantém CPI do Master parada há nove meses, apesar de 200 assinaturas

Requerimento aguarda decisão há nove meses, enquanto comissão da Câmara também deixa de votar cobrança de explicações sobre recursos públicos
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Por Cleber Lourenço

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), mantém há nove meses sem decisão um pedido de criação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as relações entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). O requerimento reúne 200 assinaturas confirmadas, acima das 171 exigidas pela Constituição, e permanece parado mesmo sem nenhuma CPI em funcionamento na Casa.

Apresentado em 2 de fevereiro pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), o requerimento continua registrado oficialmente como “Aguardando Despacho do Presidente da Câmara dos Deputados”. A investigação pretende apurar possíveis irregularidades nas operações entre o Master, ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, e o BRB, instituição financeira controlada pelo governo do Distrito Federal.

O caso envolve suspeitas de fraudes financeiras e operações bilionárias entre as duas instituições. A participação do BRB acrescenta uma dimensão pública ao escândalo, já que eventuais prejuízos ao banco podem atingir o patrimônio de uma instituição controlada pelo governo distrital.

Motta mantém CPI na fila mesmo com cinco vagas disponíveis

Em 3 de fevereiro, um dia depois da apresentação do requerimento, Motta afirmou que havia aproximadamente 15 pedidos de CPI anteriores ao do Banco Master e que seria necessário respeitar a ordem cronológica de apresentação.

“Nós temos aqui uma fila de CPIs. Essas CPIs são tratadas na ordem cronológica”, declarou na ocasião.

O artigo 35 do Regimento Interno da Câmara estabelece que não podem funcionar mais de cinco CPIs simultaneamente. Atualmente, nenhuma está em atividade.

Rollemberg questionou a demora no Supremo Tribunal Federal (STF). Em março, o ministro Cristiano Zanin rejeitou o pedido para obrigar a Câmara a instalar a comissão, considerando insuficientes os elementos apresentados para demonstrar uma omissão ilegal naquele momento.

Desde então, o requerimento permaneceu sem despacho. A Câmara também não instalou uma comissão destinada especificamente a investigar as operações entre Master e BRB.

Uma CPI permitiria aos deputados convocar depoentes, requisitar documentos, solicitar informações protegidas por sigilo, mediante os requisitos legais, e investigar possíveis responsabilidades de dirigentes de instituições financeiras e autoridades públicas.

Comissão também deixa de votar cobrança sobre dinheiro público

A paralisação da fiscalização parlamentar teve outro capítulo nesta quarta-feira (4). A Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara deixou de votar, por falta de quórum, um requerimento da deputada Adriana Ventura (Novo-SP) relacionado ao Banco Master.

A proposta busca atualizar uma audiência pública sobre a exposição de recursos públicos ao banco, a atuação dos órgãos de supervisão financeira e os desdobramentos da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal para investigar suspeitas de irregularidades envolvendo a instituição.

A iniciativa também acumula meses de espera. O requerimento original de Adriana Ventura foi apresentado em fevereiro e continuava pendente de votação. Uma proposta posterior de atualização foi retirada de pauta em agosto, enquanto uma reunião prevista para outubro acabou cancelada.

Na reunião desta quarta-feira, encerrada sem a votação dos requerimentos por falta de quórum, a comissão novamente deixou de avançar na discussão sobre os recursos públicos envolvidos nas operações financeiras investigadas.

A ausência de uma CPI também limita a capacidade de fiscalização direta do Congresso sobre as decisões que permitiram a aproximação entre o Master e o BRB, incluindo a atuação dos dirigentes das instituições e os mecanismos de controle utilizados nas operações.

Com o pedido de Rollemberg ainda sem despacho e a audiência pública sem deliberação, a Câmara chega a novembro sem ter instalado uma investigação parlamentar específica sobre o caso, apesar das 200 assinaturas reunidas desde fevereiro e das cinco vagas disponíveis para CPIs.

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