O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou nesta quinta-feira (12) que o país continuará retaliando os Estados Unidos e manterá fechado o estratégico Estreito de Ormuz. A declaração foi transmitida pela televisão estatal e marcou o primeiro pronunciamento público desde que ele assumiu o posto após a morte de seu pai, Ali Khamenei, morto no início da atual guerra no Oriente Médio.
A mensagem, lida por um apresentador na TV estatal iraniana, traz ameaças diretas às forças americanas posicionadas na região. No comunicado, Mojtaba Khamenei afirmou que instalações militares dos Estados Unidos no Oriente Médio serão alvo de novos ataques caso continuem sendo utilizadas nas operações contra o Irã.
“Todas as bases americanas da região devem ser fechadas imediatamente. Essas bases serão atacadas”, declarou o líder supremo na nota oficial. Ele acrescentou que o país não abrirá mão de “vingar o sangue de seus mártires”, em referência às vítimas iranianas do conflito iniciado após ofensivas militares conduzidas por Estados Unidos e Israel.
O novo dirigente também defendeu a manutenção do bloqueio no Estreito de Ormuz, ponto estratégico para o comércio global de energia. Segundo ele, o fechamento da passagem marítima funciona como um “instrumento de pressão contra o inimigo”. A região é responsável por parte significativa do transporte mundial de petróleo e gás natural liquefeito, o que amplia o impacto econômico das tensões.

Khamenei ainda elogiou os integrantes da chamada “Frente de Resistência”, aliança de grupos armados e organizações políticas alinhadas a Teerã no Oriente Médio. Entre os aliados citados estão o Hezbollah, no Líbano, e o Hamas, na Palestina. Na mensagem, ele classificou esses grupos como “parte inseparável dos valores da Revolução Islâmica” e agradeceu o apoio nos ataques contra os Estados Unidos e Israel.
Pouco antes da divulgação do discurso, Mojtaba Khamenei criou perfis oficiais em redes sociais e apresentou publicamente sua assinatura ao lado das usadas por seus antecessores no cargo, gesto simbólico que marca sua consolidação como novo líder do regime.

O pronunciamento ocorreu um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que as forças americanas haviam “derrubado” a liderança iraniana duas vezes desde o início da guerra. A declaração foi feita durante visita a uma fábrica no estado de Ohio, mas o líder americano não especificou quais autoridades estariam entre os alvos das operações.
No mesmo dia, a agência Reuters revelou que Mojtaba Khamenei teria ficado ferido no primeiro dia do conflito — o mesmo ataque que resultou na morte de seu pai. De acordo com uma autoridade israelense ouvida pela agência, ele teria sofrido ferimentos nas pernas, o que explicaria a ausência de aparições públicas desde sua escolha como líder supremo.
O governo iraniano, por sua vez, afirma que Khamenei está “são e salvo”. Ainda assim, veículos estatais do país passaram a descrevê-lo como “veterano de guerra ferido”, expressão que também foi utilizada pela fundação religiosa Komiteh Emdad ao parabenizá-lo pela eleição.
Considerado um dirigente de linha dura dentro da elite política iraniana, Mojtaba Khamenei foi escolhido pela Assembleia de Especialistas, grupo de aiatolás responsável por indicar o líder supremo da República Islâmica. A decisão foi interpretada por analistas como um gesto de enfrentamento aos Estados Unidos, já que Trump havia defendido a escolha de um dirigente disposto a manter relações mais moderadas com Washington e Tel Aviv.
Autoridades iranianas ouvidas pela Reuters indicam que o novo governo pode adotar uma postura mais agressiva na política externa e endurecer o controle interno do país.
As tensões também foram ampliadas por declarações de autoridades israelenses. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou recentemente que qualquer líder escolhido pela atual liderança iraniana será considerado um alvo legítimo para eliminação. Trump, por sua vez, chegou a dizer que Mojtaba Khamenei “não durará muito” sem a aprovação dos Estados Unidos.
Em seu discurso, o líder iraniano reforçou que a guerra poderá se expandir para novas frentes caso o conflito continue. Segundo ele, o país já realizou estudos para abrir outros teatros de operação onde, segundo afirmou, os adversários seriam “extremamente vulneráveis”.
Íntegra do 1º pronunciamento de Mojtaba Khamenei
“Queridos irmãos combatentes! O desejo das massas populares é a continuação de uma defesa eficaz e que cause arrependimento. Além disso, certamente ainda deve ser utilizado o instrumento de bloqueio do Estreito de Ormuz.
Sobre a abertura de outras frentes, nas quais o inimigo possui pouca experiência e será extremamente vulnerável, foram realizados estudos. A ativação dessas frentes ocorrerá caso a situação de guerra persista e levando em consideração os interesses.
Também expresso minha sincera gratidão aos combatentes da Frente de Resistência. Consideramos os países da Frente de Resistência como nossos melhores amigos, e a causa da resistência e a própria Frente de Resistência são partes inseparáveis dos valores da Revolução Islâmica.
Sem dúvida, a união dos componentes da Frente de Resistência entre si encurtará o caminho para livrar-se da sedição sionista. O Iêmen, corajoso e fiel, não deixou de defender o povo oprimido de Gaza; o dedicado Hezbollah, apesar de todos os obstáculos, veio em auxílio da República Islâmica; e a resistência do Iraque também segue bravamente essa mesma linha.
Dou a todos a certeza de que não renunciaremos à vingança pelo sangue dos seus mártires. A vingança que temos em mente não se refere apenas ao martírio do eminente líder da Revolução; cada membro da nação que é martirizado pelo inimigo constitui, por si só, um caso independente para o dossiê da vingança.
Uma parte limitada da vingança pelo sangue dos mártires já se concretizou, mas enquanto não for plenamente realizada, esse dossiê continuará acima dos demais. O crime que o inimigo cometeu de forma deliberada contra a escola Shajareh Tayyebeh em Minab, e alguns casos semelhantes, possui uma importância especial nesse processo.
Exigiremos compensação do inimigo e, caso se recuse, tomaremos de seus bens na medida que julgarmos necessária; e, se isso também não for possível, destruiremos seus bens na mesma proporção.
O inimigo, há anos, foi gradualmente estabelecendo bases em alguns países vizinhos. Na ofensiva recente, algumas dessas bases militares foram utilizadas e, naturalmente, assim como havíamos advertido de forma explícita, sem que houvesse qualquer agressão contra esses países, atacamos apenas essas bases.”