A família Bolsonaro achou que era uma boa ideia servir de fantoche para os desejos ditatoriais e imperialistas de Donald Trump, intimidar a nação brasileira e sequestrar o país em favor da insuportável pauta da anistia. Não das tias e tios do zap que embarcaram de gaiatos numa aventura golpista, depredando patrimônio público achando que estavam fazendo revolução, mas em benefício do patriarca do clã, um homem que há décadas clama por ditadura, prega tortura, morte e extermínio em nome do amor à nação.

Chantagem, sequestro de pautas e golpes são práticas recorrentes na história do Brasil. Foi assim desde a Noite da Agonia (D. Pedro I) até o Impeachment de Dilma Rousseff, passando pela Revolução de 1930, o Golpe do Estado Novo, a Deposição de Vargas, o Movimento de 11 de Novembro, o Golpe de 1964, e por aí vai…, mas o grupo em questão inovou porque foi minando a paciência e as forças do país ao longo de anos e anos até tentarem a cartada final.
Primeiro surrupiaram de forma histriônica a bandeira, o verde e amarelo, os símbolos nacionais, os desejos por transparência e civilidade no trato da coisa pública. Neste caminho, brocharam toda vontade de mais da metade do país até para torcer pela seleção brasileira de futebol, uma instituição que está na memória afetiva de todo mundo.
Depois levaram embora a sanidade de famílias inteiras, fundando uma espécie de seita que supostamente tem na cristandade a sua base, mas… Cristo armado? Cristo aporofóbico, racista, homofóbico, transfóbico? Cristo que prega o ódio para cima de todos e Pix na conta deles acima de tudo?

A vaidade por serem interlocutores de um ser tão ávido por poder e dinheiro como Donald Trump é tanta, que passa por cima da razoabilidade de sobrevivência de discursos e valores de lealdade à pátria que eles mesmos disseminaram.
Agora paralisam os poderes, congelam as matérias urgentes que beneficiariam milhões de pessoas, tudo para arrancar a fórceps o que desejam: a liberdade de Jair Messias (apenas dele, esqueçam os que lotam a Papuda) para seguir pregando livremente o sequestro do país inteiro e o entreguismo aos norte-americanos ou a quem lhes pague mais, esticando a corda para voltarem ao poder às custas dos empregos, alívios fiscais e vida melhor para a população que dizem amar.
Fingem-se de amordaçados os que gritam há décadas sem escutar ninguém. Falam em censura os que nunca foram tolhidos de verdade em suas ações. Denunciam de maneira indignada uma ditadura, os que sempre tiveram esta palavra como um doce na boca.
Até aqui não foi dito nenhuma novidade. Nada do que muitas vozes já não tenham denunciado, analisado, explicado. A pergunta que fica é quantos sequestros da história mais serão necessários para que o país pare de exaltar ignorância, arrogância, egoísmo e brutalidade com um único gesto: o voto.