O senador Omar Aziz (PSD-AM), relator da proposta que prevê o fim da escala 6×1, defendeu a aprovação da medida pelo Senado e afirmou que a discussão não deve ser tratada como uma pauta de determinado partido ou candidato. Em entrevista ao ICL Notícias – 1ª edição desta terça-feira (25), Aziz disse que a redução da jornada é uma demanda dos trabalhadores brasileiros e citou os impactos da rotina de trabalho na saúde mental e na convivência familiar.
“Eu não diria que é uma prioridade do presidente Lula, eu acho que é uma prioridade de todos os trabalhadores brasileiros. Não passa só por ele, passa por uma nação brasileira”, afirmou o senador.
Segundo o senador, a proposta aprovada pela Câmara recebeu apoio de diferentes correntes políticas e, por isso, o Senado deveria seguir o mesmo caminho. Aziz afirmou que trabalhadores que passam horas no deslocamento entre casa e emprego acabam permanecendo fora de casa por mais de dez horas diariamente, mesmo quando a jornada formal é menor.

Ao falar de importância da pauta, o relator defendeu que a luta por condições melhores de trabalho não pertencem a determinada ideologia. “Não é direita, esquerda, centro, eu acho que houve voto de todo mundo. Então não é uma prioridade de A ou de B, se é uma prioridade pra quem trabalha”, disse Aziz.
O relator disse que pretende manter no Senado o texto aprovado pela Câmara, embora parlamentares possam apresentar emendas. Entre os pontos que deverão ser discutidos estão regras de transição e adequações para categorias com regimes específicos de trabalho, como profissionais que atuam em plataformas de petróleo, além dos setores de comércio, serviços e hotelaria.
Aziz também rebateu o argumento de que a redução da jornada poderia prejudicar a economia. Para ele, o Brasil já passou por mudanças semelhantes no passado, como a redução da carga semanal e a criação do 13º salário, sem que as previsões de colapso econômico se confirmassem. O senador defendeu ainda que as transformações no comércio e nos serviços exigem adaptações diante de mudanças nos hábitos de consumo e do avanço das novas tecnologias.
Ao comentar a defesa de uma maior liberdade para que trabalhadores escolham jornadas mais longas, Aziz afirmou que é preciso considerar os limites impostos à saúde. Como exemplo, citou profissionais da saúde que enfrentam longos plantões e disse que jornadas extensas podem comprometer a saúde mental, sem necessariamente aumentar a produtividade.
“Olha, eu não vou polemizar com o Flávio, mas eu acho que não tem coisa mais importante que a convivência familiar. Não tem coisa mais importante, e o Brasil tem que entender isso, que é as pessoas”, afirmou Aziz.
O senador também citou profissionais da saúde que enfrentam longos plantões como exemplo dos impactos das jornadas extensas. Segundo ele, há estudos que mostram que o aumento da quantidade de horas trabalhadas não significa necessariamente maior produtividade, enquanto a saúde mental pode ser afetada.
“A gente está falando de seres humanos, não estou falando de máquina”, afirmou.