Por Cleber Lourenço
O Ministério da Justiça e Segurança Pública realizou, nesta quinta-feira (16), a Operação Bulwark, uma ação coordenada nacionalmente pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) com foco na repressão a conteúdos digitais relacionados à violência extrema.
A operação foi executada de forma integrada pelas polícias civis estaduais e teve como objetivo desarticular ambientes digitais associados à disseminação de discurso de ódio, incentivo à violência e processos de radicalização, com atenção especial a grupos formados por jovens.
Segundo o ministério, a iniciativa também teve como foco a repressão a crimes envolvendo exploração sexual de crianças e adolescentes, além do compartilhamento desses conteúdos em redes sociais e aplicativos de mensageria.
Como resultado da operação, foram cumpridos dois mandados de prisão temporária, 26 mandados de busca e apreensão e dois mandados de internação. O balanço consolidado também registra um flagrante e cerca de 20 ações policiais cautelares diversas.
No ambiente digital, a operação resultou na moderação de 180 contas em plataformas como TikTok, Facebook, Instagram, Telegram e Discord, além da atuação sobre 19 servidores da plataforma Discord.
Ao mesmo tempo, as autoridades requisitaram às plataformas digitais a adoção de medidas de moderação, a retirada de conteúdos ilícitos e a suspensão de perfis e grupos sob investigação.
De acordo com o Ministério da Justiça, mais de 5.500 usuários foram afetados pelas ações realizadas durante a operação.
As investigações foram conduzidas pelas polícias civis estaduais em conjunto com o Ministério Público. A atuação teve como base informações compartilhadas pelo Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), que produziu relatórios técnicos de inteligência a partir do monitoramento de ambientes digitais considerados de risco.
Esses relatórios subsidiaram a identificação de padrões de comportamento, disseminação de conteúdos violentos e atuação de grupos em plataformas online, permitindo a adoção de medidas judiciais pelas autoridades locais.
A operação mobilizou equipes nos estados do Acre, Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.
A ação contou ainda com a participação do Ministério Público de Minas Gerais e apoio da Polícia Militar de Minas Gerais e do Centro Integrado de Inteligência Cibernética do estado.
O secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, afirmou que a operação demonstra a capacidade de atuação integrada das forças de segurança no enfrentamento de ameaças digitais.
O nome da operação, Bulwark, que significa linha de defesa, faz referência à atuação do Estado na contenção de ameaças no ambiente digital com potencial de impacto no mundo real.
A iniciativa integra as ações do Ministério da Justiça voltadas à prevenção da violência e à proteção de públicos vulneráveis, com atuação coordenada entre os órgãos do Sistema Único de Segurança Pública.