Oráculo ICL, lançado pelo Instituto Conhecimento Liberta, revoluciona ao colocar o professor no centro das respostas

Inteligência artificial lançada pelo ICL propõe um novo paradigma para os modelos de IA generativa ao colocar o professor no centro e reafirmar o compromisso com a educação
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Por Iago Filgueiras*

O Instituto Conhecimento Liberta (ICL) lançou, no último dia 26, o Oráculo ICL, uma ferramenta de inteligência artificial autoral treinada a partir do pensamento dos grandes intelectuais da plataforma.

O anúncio foi realizado durante uma transmissão ao vivo no YouTube para milhares de espectadores. O evento, apresentado pelo economista e fundador do Instituto Conhecimento Liberta (ICL), Eduardo Moreira, contou também com a participação de nomes como Carolline Sardá, publicitária e influenciadora digital, João Cezar de Castro Rocha, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do especialista em marketing político Otávio Antunes.

A ferramenta pode ser utilizada para diversas finalidades, como estudo, pesquisa e produção de conteúdo. Carolline Sardá, presença constante nos debates contra a extrema direita no ambiente virtual, destacou também o potencial de uso para a construção de argumentos políticos e análise de conjuntura, levando em consideração o período eleitoral.

Os diferenciais do Oráculo ICL

De modo geral, inteligências artificiais funcionam a partir de uma base de dados que, no caso dos modelos mais comuns, pode sofrer a influência de vieses e conteúdos mal intencionados, presentes aos montes no ambiente digital.

O Oráculo ICL se diferencia justamente por ter uma base robusta, elaborada a partir do pensamento de grandes intelectuais. A ferramenta foi desenvolvida com base no acervo de conteúdos disponível na plataforma do ICL, que conta com mais de 300 cursos e cinco mil horas de aulas. Para fins de comparação, se todo esse material fosse colocado em um texto, seria possível escrever um livro com mais de 33 mil páginas.

No evento de lançamento da ferramenta, Otávio Antunes, referência em marketing político, destacou a fundamentação das respostas do Oráculo ICL como um diferencial se comparado à outras ferramentas de inteligência artificial:

“O Chat GPT é tão cara de pau que ele até pede desculpa, né? Diz: você tem razão, vou por outro caminho…”, brincou ao relembrar a necessidade frequente de corrigir respostas superfíciais em outros modelos.

Já disponível para o público na plataforma do ICL, a ferramenta tem conquistado os usuários. Para a jornalista Mariana Amaral, um ponto positivo é que o Oráculo não traz simplesmente uma média das respostas, “ela traz diferentes pontos de vista”. Ela ainda ressaltou a sensação de alívio que tem ao utilizar uma ferramenta que credita o professor e “dá uma informação completa”.

O potencial do Oráculo ICL também se comprova nos números. Segundo Eder Ribeiro, desenvolvedor e diretor de tecnologia do Instituto Conhecimento Liberta, nos primeiros oito dias de funcionamento da ferramenta foram mais de 100 mil mensagens trocadas.

Para ele, os usos identificados são reveladores: professores têm usado o Oráculo ICL para auxiliar na construção de provas, planos de aula e materiais didáticos; já entre os alunos, a ferramenta tem ajudado a estruturar artigos, projetos culturais e outros trabalhos acadêmicos.

Ao falar sobre a motivação para a criação da plataforma, Eder destacou que ela partiu de uma mudança de perspectiva. Segundo ele, as plataformas educacionais que utilizam IA tendem a usar modelos de baixo custo, alimentados com documentos brutos, sem estrutura, categorização, contextualização e representação dos professores.

“A nossa pergunta foi diferente. Em vez de ‘como encaixar a IA da moda no nosso produto?’, perguntamos ‘de que forma as tecnologias atuais poderiam potencializar a experiência educacional que já oferecemos?’”, destacou o diretor de tecnologia do ICL.

Participaram do evento de lançamento do Oráculo ICL (dá esquerda à direita) o especialista em marketing político Otávio Antunes, o professor João Cezar de Castro Rocha, a influenciadora digital Carolline Sardá e o economista Eduardo Moreira.
O especialista em marketing político Otávio Antunes, o professor João Cezar de Castro Rocha, a influenciadora Carolline Sardá e o economista Eduardo Moura, participaram do evento de lançamento do Oráculo ICL, em 26 de fevereiro. Foto: ICL

Uma ferramenta que coloca o professor no centro

Na prática, o Oráculo ICL é uma inteligência artificial generativa especializada, treinada a partir de grandes referências intelectuais. No modelo, o consentimento para o uso do conteúdo está na base e o autor está no centro das respostas.

Diferente das inteligências artificiais mais famosas, que exploram conteúdos para além dos limites da propriedade intelectual, a ferramenta desenvolvida pelo Instituto Conhecimento Liberta parte de materiais já integrados ao acervo do instituto.

Além disso, o modelo rompe com a lógica comum às demais inteligências artificiais, em que a autoridade sobre a informação passada é reivindicada pela própria máquina. Segundo Eder Ribeiro, esse é um grande diferencial:

“Uma IA generativa absorve o conteúdo e responde em primeira pessoa, como se o conhecimento fosse dela. O Oráculo faz diferente: ‘o professor X, nesta aula, aos 15 minutos e 32 segundos, explica exatamente isso, clique aqui e assista’”, explicou.

Ao indicar qual professor abordou um assunto e em qual aula ele está disponível, a ferramenta permite que o usuário rastreie e valide a resposta informada pela IA. Eder destaca que isso tem transformado o Oráculo em um verdadeiro motor de descoberta de conteúdo: “o aluno pergunta sobre um tema, descobre uma aula que não conhecia, assiste, e volta com perguntas mais profundas”.

Longe da ideia neoliberal de precarização do trabalho do educador e substituição da prática pedagógica pela máquina, no Oráculo ICL o trabalho do professor é amplificado, não invisibilizado.

Ameaça tecnológica em meio ao avanço da extrema direita

Em meio a perigosa proximidade das grandes plataformas de tecnologia com figuras influentes da extrema direita global, os riscos da concentração de poder na mão de um grupo tão restrito têm ficado cada vez mais evidentes.

Com o avanço da extrema direita, sobretudo com a eleição de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos em 2025, empresas de tecnologia passaram a adotar um discurso cada vez mais alinhado aos interesses políticos e econômicos desse setor. No início do ano, o Grok, inteligência artificial integrada à rede social X — de propriedade de Elon Musk —  levantou debates sobre responsabilidade e ética em IA e mobilizou a sociedade civil.

O modelo, que além de textos permite também a criação de imagens, passou a gerar representações visuais sexualizadas de pessoas reais, incluíndo crianças e adolescentes, quando solicitado por usuários. No ano anterior, outra iniciativa de Musk também chamou atenção: a Grokpedia. Criada para concorrer com a enciclopédia digital Wikipedia, a plataforma gera verbetes a partir de inteligência artificial com pouca curadoria humana e reproduz teorias da conspiração e narrativas da extrema direita.

Já a Meta, proprietária de redes sociais como Facebook, Instagram e Whatsapp, e a plataforma de inteligência artificial Meta AI, anunciou a flexibilização de medidas para combater discursos de ódio na versão da plataforma disponível nos EUA. Em janeiro de 2025, o dono da empresa, Mark Zuckerberg, passou a adotar um discurso cada vez mais alinhado a Donald Trump.

Na cerimônia de posse de Donald Trump, no início de 2025, participaram os maiores representantes de empresas de tecnologia como Meta, Amazon e Alphabet.
No início de 2025, os líderes das maiores plataformas de tecnologia do mundo estiveram presentes na posse do presidente estadunidense Donald Trump. Na imagem, estão Mark Zuckerberg, da Meta, Jeff Bezos, proprietário da Amazon, Sundar Pichai, CEO da Alphabet e Elon Musk, dono do X. Foto: Julia Demaree Nikhinson/AP

Oráculo como ferramenta revolucionária

Em um cenário em que as pessoas mais ricas do planeta são proprietários de plataformas de tecnologia, é evidente que o desenvolvimento de novas ferramentas tem sido, cada vez mais, pautado pelo interesse econômico, frequentemente deixando de lado qualquer preocupação social.

Com a proximidade do cenário eleitoral no Brasil, a situação fica ainda mais urgente. Quando algumas poucas empresas detêm o controle sobre o fluxo da informação e são capazes de definir quem pode ser visto e qual versão ganhará destaque, o risco de manipulação e influência em decisões soberanas e política interna de países não alinhados aos anseios da extrema-direita se torna evidente. Por isso, o Oráculo ICL se posiciona como uma iniciativa revolucionária.

Ao considerar a concentração de poder na mão de plataformas digitais, o jornalista Cesar Calejon, do ICL Notícias, destacou os riscos desse cenário. Para ele, esse monopólio, somado ao enviesamento à direita das novas tecnologias, reflete em uma ameaça para “o processo de resistência e manutenção das democracias ao redor do mundo”.

“Num contexto de disputa constante entre o campo progressista e o neofascismo bolsonarista, o Oráculo oferece uma tecnologia poderosa para a luta política da esquerda nacional”, afirmou Calejon.

A Inteligência Artificial no cenário educacional

Outra área em que a inteligência artificial tem provocado debate é no setor educacional. Com isso, os aspectos éticos e os riscos relacionados à ampliação do uso dessas ferramentas tem ganhado destaque.

No Brasil, sete em cada dez estudantes do ensino médico com acesso à internet, já recorrem a IAs generativas para realizar pesquisas escolares. No ensino superior, uma pesquisa da Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior (Abmes), em parceria com a Educa Insights mostrou que 71% dos entrevistados faz uso frequente dessa tecnologia.

Mas, na prática, ferramentas como o ChatGPT, Claude e Gemini, muitas vezes acabam por criar uma certa ilusão do conhecimento. Algo comum nessas ferramentas é o fornecimento de respostas superficiais ou artificialmente sofisticadas — bonitas e intelectuais, mas sem profundidade crítica.

Além disso, há outro cenário preocupante: a autoria invisível e a substituição da autoridade. Na forma como as IAs generativas são concebidas atualmente, a máquina é tida como a fonte do conhecimento, apagando o papel intelectual dos autores usados para chegar em uma determinada resposta. Ainda, ao atribuir a responsabilidade do conteúdo a uma máquina, o debate sobre ética e responsabilização se torna cada vez mais difícil.

Para Eduardo Moreira, nesse cenário, “a gente tem como resultado uma educação mais superficial, menos humana e eticamente questionável”.

Uma tecnologia a serviço do conhecimento

No evento de lançamento do Oráculo ICL, o professor João Cezar de Castro Rocha trouxe uma análise interessante ao relembrar o desejo do escritor e poeta argentino Jorge Luiz Borges. Em seu livro “A Biblioteca de Babel”, Borges sonhava com uma biblioteca que iria além de um repositório de conhecimento, mas que conseguiria, a partir desse saber acumulado, produzir novas sínteses e novos entendimentos.

O que parecia algo distante, quase na esfera da ficção, parece ter se concretizado:

“Para Borges era uma utopia, mas se ele estivesse vivo, veria que esse sonho foi realizado”, destacou Castro Rocha.

Na prática, o Oráculo ICL é uma ferramenta que leva o desenvolvimento da inteligência artificial a um novo patamar. Ao colocar o consentimento do autor na base, o professor no centro e firmar o compromisso com a educação e a transformação social, ela revoluciona um mercado em que a busca pelo lucro tem superado a ética e a responsabilidade.

O diretor de tecnologia do ICL, Eder Ribeiro, reforçou que a curadoria prévia dos conteúdos que alimentam o Oráculo ICL é fundamental. Para ele, quando se alimenta uma ferramenta de inteligência artificial com conteúdo da internet, não há distinção entre material acadêmico ou conteúdo opinativo sem fundamento. Nesses modelos, “as respostam soam palusíveis, mas podem estar erradas e, em educação, isso é inaceitável”, destacou.

Se você quer uma inteligência artificial comprometida com o pensamento crítico, conheça o Oráculo ICL. Se torne membro da plataforma do Instituto Conhecimento Liberta e participe dessa revolução tecnológica.

*Estagiário sob supervisão de Leila Cangussu

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