O governo de Donald Trump sinalizou que está disposto a voltar a pagar suas contribuições para a ONU. Mas com uma condição: a de que a entidade freie a influência financeira da China na estrutura da entidade e nos programas sociais, principalmente nos países em desenvolvimento.
No início de 2025, o republicano suspendeu todos os pagamentos para as agências internacionais, num corte avaliado de mais de US$ 12 bilhões para dezenas de programas pelo mundo. Maior financiador da ONU, o governo dos EUA causou um terremoto ao fechar as torneiras. Centenas de funcionários foram demitidos da organização ao longo de 2025 e o orçamento foi reduzido em 15%.
Mas os cortes continuaram e, em 2026, Washington anunciou que estava deixando 66 organismos internacionais.
Agora, documentos internos da diplomacia americana revelam que Washington aceitaria voltar a destinar recursos para a ONU. Mas, além de uma reforma para reduzir o gasto com funcionários, um dos itens centrais é fechar a possibilidade para que o secretário-geral da ONU seja autorizado a receber doações paralelas ao orçamento e que são colocadas num fundo. Esse dinheiro pode ser usado pelo chefe da ONU, sem ter de passar pela aprovação dos EUA, algo que Trump se recusa a aceitar.
A acusação dos EUA é de que o fundo, na realidade, vem sendo o caminho usado pela China para financiar as atividades da ONU que possam atender a seus objetivos.
No início deste ano, António Guterres, secretário-geral da ONU, alertou que a entidade enfrentava um “colapso financeiro iminente” diante da falta de pagamento das contribuições dos países.
Em fevereiro, a ONU disse que os Estados Unidos haviam pago cerca de US$ 160 milhões dos mais de US$ 4 bilhões que deviam apenas para a secretaria-geral.
Os EUA deviam US$ 2,19 bilhões ao orçamento regular da ONU no início de fevereiro, mais de 95% do total devido pelos países. Trump ainda devia US$ 2,4 bilhões por missões de paz.
Além de conter a China, os EUA exigem:
- Redução no sistema de aposentadoria dos funcionários da ONU
- Fim do uso de classe executiva para funcionários mais idosos e todos os profissionais de nível médio
- Redução de cargos no altos escalões da ONU
- Uma redução de 10% nas missões de paz