PF não depende de delação de Vorcaro para concluir investigação do caso Master

Conteúdo extraído de celulares apreendidos e mais de 100 dispositivos ainda sob perícia já fornece base probatória para a Operação Compliance Zero
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Por Cleber Lourenço

A prisão do banqueiro Daniel Vorcaro na nova fase da Operação Compliance Zero não altera um ponto central da investigação conduzida pela Polícia Federal: na avaliação de investigadores, a conclusão do caso Master não depende de uma eventual delação premiada do empresário.

De acordo com fontes que acompanham a apuração, o material já apreendido pela PF — especialmente o conteúdo extraído dos telefones de Vorcaro — contém elementos considerados suficientes para avançar na responsabilização dos envolvidos no esquema investigado.

Os aparelhos do banqueiro se tornaram uma das principais linhas de investigação do caso.

Conversas, registros e documentos armazenados nos dispositivos teriam revelado contatos com autoridades, políticos e personagens ligados à estrutura investigada na Operação Compliance Zero.

Oficialmente, a Polícia Federal não confirma quantos aparelhos pertencentes a Vorcaro estão em sua posse. Nos bastidores da investigação, no entanto, investigadores relatam que o número pode variar entre cinco e seis celulares apreendidos ao longo das diferentes fases da operação.

Provas materiais

Além desses dispositivos, a PF também reúne um volume muito maior de material digital. Somando apreensões realizadas em outras etapas da investigação, os investigadores já têm acesso a mais de 100 aparelhos eletrônicos — entre celulares, computadores e dispositivos de armazenamento — que ainda passarão por perícia detalhada.

Esse conjunto de provas digitais é considerado estratégico para reconstruir o funcionamento do esquema investigado. A expectativa dos investigadores é que a análise cruzada dos dados permita mapear relações, fluxos de comunicação e possíveis conexões entre o núcleo financeiro da operação e interlocutores no meio político e institucional.

Diante desse cenário, uma eventual delação premiada de Vorcaro teria utilidade limitada se não vier acompanhada de provas concretas.

Pelas regras que orientam acordos de colaboração, declarações feitas por investigados precisam estar lastreadas em evidências materiais. Apenas relatos sem comprovação documental ou digital não são suficientes para sustentar acusações formais.

Por isso, segundo fontes ligadas ao caso, um eventual acordo de colaboração teria de apresentar fatos novos e, sobretudo, elementos de prova capazes de confirmar as declarações feitas pelo banqueiro.

Na avaliação de interlocutores da investigação, o momento mais favorável para um acordo teria sido a primeira prisão de Vorcaro, quando parte relevante das provas ainda não havia sido consolidada pelas autoridades.

Com o avanço da investigação e o volume de material já apreendido, a margem de negociação para uma colaboração tende a se reduzir.

Nesse contexto, investigadores avaliam que uma eventual estratégia de defesa poderia passar por apresentar informações relacionadas ao chamado núcleo político do esquema investigado. Mesmo nesse cenário, contudo, as declarações precisariam ser acompanhadas de provas capazes de sustentar as acusações apresentadas.

A Operação Compliance Zero investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção, intimidação de adversários e tentativas de obstrução de investigações envolvendo o entorno do Banco Master.

A análise do material apreendido nas diferentes fases da operação ainda está em andamento e pode ampliar o número de investigados conforme novas evidências forem confirmadas pelas perícias técnicas.

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