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Por Cleber Lourenço

 

A Polícia Federal identificou uma transferência de R$ 3,5 milhões para a BN Financeira Ltda., empresa associada ao núcleo familiar do senador Jaques Wagner (PT-BA), em uma das frentes da Operação Compliance Zero que investiga gestores e operadores ligados ao Banco Master.

O repasse consta em decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou medidas cautelares e diligências no âmbito das investigações. Segundo a Polícia Federal, o valor foi transferido pela PKL One Participações S.A., empresa apontada como integrante do núcleo empresarial de Augusto Ferreira Lima, um dos principais investigados no caso.

A BN Financeira ocupa papel de destaque na apuração. De acordo com a decisão, a empresa aparece em um dos três principais eixos investigados pela PF, que busca esclarecer pagamentos, repasses financeiros e relações comerciais envolvendo pessoas ligadas ao entorno familiar do senador baiano.

Os investigadores afirmam que as evidências reunidas vão além da transferência de R$ 3,5 milhões. A decisão relata a existência de diálogos extraídos de aparelhos apreendidos nos quais Eduardo Mendonça Sodré Martins teria cobrado Augusto Ferreira Lima sobre pagamentos pendentes relacionados à BN Financeira.

Segundo a representação policial, as conversas fazem referência a boletos, notas fiscais, documentos que precisariam ser assinados e dificuldades financeiras enfrentadas pelos envolvidos. Em uma dessas tratativas, Augusto Ferreira Lima teria atribuído os atrasos ao insucesso da operação de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB), negociação que acabou se tornando um dos episódios centrais da crise enfrentada pela instituição financeira.

Para a Polícia Federal, a transferência de R$ 3,5 milhões não pode ser analisada de forma isolada. A investigação aponta que o repasse ocorreu em meio a uma sequência de cobranças e discussões financeiras envolvendo a BN Financeira, o que levou os investigadores a aprofundarem a análise sobre a origem dos recursos, a finalidade econômica da operação e os serviços eventualmente prestados para justificar a movimentação.

A própria decisão destaca que a PKL One Participações está associada ao Credcesta e ao núcleo empresarial de Augusto Ferreira Lima. Por essa razão, a Polícia Federal pediu buscas em endereços vinculados à empresa para apreender contratos, documentos contábeis, comprovantes de transferência, registros de pagamento e comunicações internas que possam esclarecer a natureza da relação financeira mantida com a BN Financeira.

Os investigadores afirmam que o objetivo é verificar a causa jurídica da transferência milionária e identificar se houve efetiva contraprestação pelos valores movimentados.

Outro elemento que chamou a atenção da Polícia Federal foi a descoberta de planilhas armazenadas no celular de Daniel Lopes Monteiro, apontado como operador ligado ao grupo investigado.

Segundo a decisão, os arquivos continham registros de pagamentos destinados a uma pessoa identificada como “Dudu”, apelido que, de acordo com a investigação, corresponderia a Eduardo Mendonça Sodré Martins. Os lançamentos somariam mais de R$ 2,34 milhões e teriam sido realizados por intermédio de estruturas societárias interpostas.

A PF sustenta que esses registros reforçam a necessidade de aprofundar a apuração sobre o fluxo financeiro envolvendo empresas e pessoas ligadas ao entorno de Jaques Wagner.

Ao justificar as medidas de busca e apreensão, a investigação afirma que a BN Financeira aparece de forma recorrente nas comunicações analisadas e que os elementos reunidos até o momento indicam a necessidade de esclarecer a origem dos recursos recebidos, a natureza dos serviços prestados e a eventual existência de vínculos financeiros mais amplos entre o grupo investigado e pessoas ligadas ao senador.

Procurada pela reportagem, a assessoria de Jaques Wagner informou que não irá se manifestar neste momento sobre os fatos apontados na investigação.

Até o momento, não há denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal nem julgamento sobre o mérito das acusações. As investigações seguem em andamento no Supremo Tribunal Federal.

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