O presidente do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira (SP), afirmou que a proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da jornada 6×1 pode trazer efeitos negativos aos trabalhadores, especialmente os de baixa renda.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, o parlamentar declarou “temer” que a redução da carga semanal resulte em perda de competitividade para as empresas brasileiras e em consequências sociais indesejadas.
Segundo Pereira, embora o direito ao lazer seja importante, o “excesso de tempo ocioso” poderia expor trabalhadores a situações de vulnerabilidade. “Eu acho que quanto mais trabalho, mais prosperidade. Claro, tem que ter lazer, mas ócio demais faz mal”, afirmou.
Para ele, o tempo livre adicional poderia, em alguns contextos, aumentar a exposição a drogas e jogos de azar, sobretudo em comunidades mais pobres. “Qual é o lazer de um pobre numa comunidade? Ou no sertão lá do Nordeste?”, questionou.
A declaração gerou críticas de especialistas e representantes de trabalhadores, que apontam viés estigmatizante ao associar redução de jornada a maior risco social.
Para centrais sindicais, a fala desconsidera estudos que relacionam jornadas mais curtas a ganhos em saúde mental, produtividade e qualidade de vida. Também argumentam que políticas públicas de cultura, esporte e qualificação profissional são instrumentos mais eficazes para enfrentar vulnerabilidades sociais do que a manutenção de longas jornadas de trabalho.
Pereira relatou ainda ter discutido o tema com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). Ele classificou a proposta como “muito sensível” para ser votada em ano eleitoral, alertando que o tema pode gerar pressão sobre parlamentares.
“Às vezes até tem que votar [a favor] por conta de ser um ano eleitoral, porque o eleitor pode não entender bem se você votar contra”, disse, acrescentando estar preocupado com a repercussão política da matéria.
O dirigente partidário também criticou a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), afirmando que, apesar de seus méritos, a legislação brasileira apresenta entraves quando comparada a países com economias mais robustas e pleno emprego.
Críticos da posição sustentam que o debate sobre jornada de trabalho deve considerar a realidade social do país, a distribuição de renda e os impactos na geração de empregos, e não apenas indicadores macroeconômicos.
A discussão sobre o fim da jornada 6×1 segue em análise no Congresso e deve ganhar centralidade na agenda legislativa, em meio ao embate entre setores empresariais e representantes dos trabalhadores sobre os rumos das relações de trabalho no Brasil.