Por Francisco Lima Neto
(Folhapress) – A Promotoria de Justiça do Consumidor instaurou inquérito civil para verificar as condições de segurança na linha 5-lilás do metrô de São Paulo. A informação foi divulgada na manhã desta quinta-feira (8).
A ViaMobilidade, concessionária que administra o ramal, foi procurada, mas não respondeu até a publicação desta reportagem.
A medida foi tomada pela promotoria após a morte de um passageiro na manhã de terça-feira (6) após ficar preso entre o trem e a porta da plataforma da estação Campo Limpo, na zona sul.
Segundo a ViaMobilidade, Lourivaldo Ferreira Silva Nepomuceno, 35, tentou entrar no trem “mesmo após todos os alarmes visuais e sonoros”. Um agente de segurança da empresa afirmou à polícia que, por volta das 8h10, ouviu barulhos vindos da plataforma. Ele e os outros seguranças foram ao local e viram a vítima caída nos trilhos, já sem sinais vitais.
Segundo o Metrô, este foi o primeiro caso de morte relacionada às portas de contenção.
Questionada sobre a segurança, a concessionária afirmou que a linha lilás dispõe de um sistema, utilizado nacional e internacionalmente, de sensores de obstrução de portas para impedir que os trens partam com as portas abertas. No entanto, admitiu que no espaço entre as portas do trem e da plataforma, onde o passageiro ficou preso, não há sensor.
“No caso em questão, mesmo após os alarmes visuais e sonoros, ao tentar entrar no vagão, o passageiro acabou ficando no espaço entre o trem e a plataforma, onde não há sensores. Como tanto as portas de plataforma quanto as do vagão estavam fechadas, o trem partiu”, disse a concessionária, em nota.
A empresa lamentou o acidente e destacou que realiza regularmente campanhas para alertar os passageiros sobre a importância da segurança e de não entrar nem sair do trem após os alarmes nem tentar segurar as portas.
Em nota, a Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo) lamentou a morte e disse apurar as “ações e providências adotadas pela concessionária responsável”. “Conforme previsto em contrato, um processo sancionatório deverá ser instaurado para investigar as circunstâncias do caso”, acrescentou.

Medidas de segurança serão tomadas
O presidente da ViaMobilidade, Francisco Pierrini, afirmou que a concessionária vai instalar sensores de presença nas portas das plataformas até fevereiro do ano que vem, reforçando a segurança dos passageiros. Ele disse que esse projeto já estava sendo tocado pelos engenheiros da empresa, mas que agora será antecipado em razão da morte.
Enquanto isso, será implantado até o fim do ano um sistema de barreiras físicas de segurança na parte interna das portas da plataforma. Segundo Pierrini, são hastes de metal que vão bloquear a presença de qualquer pessoa ou mala entre o trem e a porta da plataforma.
“Se existisse a barreira física na parte interna da porta de plataforma, quando ela fosse fechar essa estrutura se depararia com a pessoa. Como tem o sensor de esmagamento, a porta não se fecharia e se abriria novamente. É igual à porta do trem, que se tiver alguma coisa lá, ela se abre novamente. Se tiver uma mala ou uma pessoa ali dentro a porta não vai fechar”, explicou o dirigente em entrevista à Band, dando o prazo de seis meses para que as barreiras de segurança sejam instaladas.
Luis Kolle, presidente da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Metrô, afirmou que mesmo que o passageiro tenha tido responsabilidade no acidente, houve falha no sistema de segurança.
“A atitude do passageiro foi indevida, mas a gente não pode culpar a vítima. Houve uma fatalidade, mas é preciso pensar na melhoria do sistema, porque se aconteceu de uma pessoa ficar presa, alguma coisa no sistema falhou”, afirmou.
De acordo com Kolle, em uma situação de risco o trem não deveria ter conseguido partir.
“Ali tem que ter um sensor, tem que detectar que tem uma pessoa ali. A porta de plataforma teria de abrir de novo. A porta do trem até poderia permanecer fechada, mas a porta de plataforma deveria abrir para a pessoa sair dali da zona de risco. Algum erro de procedimento, alguma falha aconteceu”, afirmou.