Por Cleber Lourenço
A operação da Polícia Federal para proteger candidatos à Presidência da República nas eleições de 2026 ficou 67% mais cara em relação ao plano montado na disputa de 2022, em valores nominais. O orçamento previsto passou de aproximadamente R$ 57 milhões para R$ 95 milhões em quatro anos.
O efetivo também cresceu. Em 2022, a PF havia previsto ao menos 300 agentes para atuar na segurança dos presidenciáveis. Agora, o plano atual poderá mobilizar até 458 servidores, entre agentes de proteção, chefes de equipe e profissionais das áreas de inteligência e logística.
A nova operação foi anunciada pela PF na última quinta-feira (17) e pode ser ativada a partir desta segunda-feira (20), depois da homologação das candidaturas nas convenções partidárias e da solicitação formal das campanhas. A estrutura foi dimensionada para atender simultaneamente até dez candidaturas à Presidência.
Segundo a PF, cada presidenciável terá um plano de segurança próprio, definido a partir de análise técnica de risco. Entram nessa avaliação o histórico de ameaças, informações de inteligência, locais dos eventos, deslocamentos, acessos e o contexto de segurança de cada região.
Antes das agendas de campanha, equipes precursoras farão reconhecimento dos locais e articulação com forças de segurança estaduais e municipais. A corporação afirma que a operação foi organizada para garantir tratamento isonômico aos candidatos, mas que o efetivo e os recursos empregados poderão variar conforme o risco de cada agenda.
O salto no custo ocorre em meio a uma estrutura mais ampla do que a de 2022. A operação deste ano prevê atuação em todos os estados, acompanhamento permanente das agendas, veículos blindados, equipamentos antidrone e equipes especializadas em inteligência, logística e proteção pessoal.
Em 2022, a PF havia apresentado um esquema então classificado como inédito para a proteção dos candidatos ao Planalto. Naquele ano, os gastos estimados chegavam a R$ 57 milhões, sendo R$ 25 milhões em despesas operacionais, como logística e diárias, e R$ 32 milhões em equipamentos, incluindo coletes, veículos blindados e kits de pronto-socorro.
A comparação entre os dois planos mostra que o orçamento cresceu R$ 38 milhões. Já o número máximo de servidores previsto para 2026 é 52,7% superior ao efetivo mínimo anunciado quatro anos antes.
A adesão à segurança da PF é facultativa. A campanha pode solicitar a proteção no início da operação ou em outro momento do período eleitoral. Caso o presidente Lula (PT) confirme a candidatura à reeleição, sua segurança deverá seguir no modelo integrado entre PF e Gabinete de Segurança Institucional.
Um ponto político já apareceu antes mesmo do início efetivo da operação. A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, indicou que pretende manter a segurança feita pela Polícia do Senado, em vez de usar a estrutura da PF. Aliados do senador dizem não ver motivo para trocar o serviço e afirmam haver desconfiança em relação à corporação comandada por Andrei Rodrigues, diretor-geral nomeado por Lula.
A PF diz que não divulgará a classificação individual de risco das campanhas nem o efetivo destinado a cada candidato por razões de segurança.