Por Cleber Lourenço
O PSB articula uma reorganização de seus espaços no governo federal e na Câmara dos Deputados, em uma movimentação que combina a participação na próxima gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com os planos eleitorais do partido para 2028. Entre as possibilidades discutidas estão a indicação de João Campos para um ministério e a escolha da deputada Tabata Amaral para liderar a bancada socialista na Câmara.
Segundo informações obtidas pela reportagem, uma das alternativas em avaliação é a nomeação de João Campos para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, com a possibilidade de incorporar à estrutura da pasta o atual Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte.
Nesse desenho, o atual ministro do Empreendedorismo, Paulo Henrique Rodrigues Pereira, indicado pelo PSB, passaria a ocupar a secretaria-executiva da nova estrutura ministerial. A fórmula permitiria ao partido concentrar as duas áreas sob um mesmo comando, preservando a participação de um de seus quadros na administração federal.
A proposta, entretanto, é apenas um dos caminhos considerados. Não há definição sobre a eventual fusão das pastas, tampouco sobre o destino de João Campos no governo. Outra possibilidade discutida é sua indicação para o Ministério das Cidades.
A escolha dependerá das negociações para a composição ministerial do novo mandato de Lula e dos espaços reservados aos partidos aliados.
Tabata na liderança do PSB
Paralelamente às negociações envolvendo João Campos, o PSB trabalha com a perspectiva de colocar Tabata Amaral na liderança de sua bancada na Câmara dos Deputados já no início de 2027.
A movimentação faz parte de uma estratégia política de médio prazo. O partido trabalha com a expectativa de que Tabata volte a disputar a Prefeitura de São Paulo em 2028 e avalia que a liderança parlamentar poderá ampliar sua projeção política nos dois anos anteriores à eleição municipal.
O posto também daria à deputada maior participação nas negociações legislativas, na articulação com o governo federal e na definição das prioridades da bancada socialista.
A eventual escolha de Tabata para a liderança ainda depende de uma construção interna, mas já integra as possibilidades consideradas pelo partido para a próxima legislatura.
Estratégia para 2028
As duas movimentações fazem parte de um mesmo esforço de reorganização política do PSB após as eleições de 2026.
Para João Campos, a entrada no primeiro escalão do governo federal representaria uma oportunidade de manter protagonismo nacional depois da disputa pelo governo de Pernambuco. A definição da pasta, no entanto, permanece em aberto.
No caso de Tabata Amaral, a articulação tem um objetivo eleitoral mais delimitado: fortalecer sua posição política antes de uma possível nova candidatura à Prefeitura de São Paulo.
Embora as negociações estejam em andamento, nenhuma das alternativas foi formalizada. A definição dos espaços ministeriais dependerá das decisões de Lula, enquanto a escolha da liderança na Câmara passará pela organização interna da bancada do PSB.