Rubio vê eleição no Brasil como estratégica para chegar à presidência dos EUA

Chefe da diplomacia americana inicia turnê pela América do Sul de olho em sua própria carreira política
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O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, inicia nesta terça-feira sua turnê pela América do Sul. Nos próximos dias, ele deve anunciar novas parcerias e iniciativas com os governos do Peru, Colômbia e Equador, principalmente no que se refere ao suposto combate ao “narcoterrorismo”.

Mas observadores tanto no Brasil como nos EUA sinalizam que a grande expectativa do governo de Donald Trump se refere à eleição no país, em outubro.

A aposta de Rubio em um continente alinhado aos objetivos da Casa Branca não é apenas um objetivo de política externa. O chefe da diplomacia dos EUA quer usar a transformação política na região como um cartão de visitas para sua própria campanha eleitoral de 2028, para a sucessão de Trump.

Uma das metas de Rubio é a de se apresentar como o articulador do fim de governos de esquerda na região, um velho sonho da Casa Branca. O trunfo também poderia ser determinante para convencer latinos nos EUA a apostar pelos Republicanos, e não em Democratas.

Rubio, portanto, não fustiga Luiz Inácio Lula da Silva por acaso. Seus assessores admitem que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro pode ser determinante para o objetivo de controle hemisférico da Casa Branca. Com a esquerda fora do poder no Brasil, a expectativa é de que a influência dos movimentos de esquerda na região perderia força.

Flávio Bolsonaro, em carta, de fato ofereceu ao secretário de Estado norte-americano a criação de uma equipe de transição que permita que os EUA tenham voz e papel na redefinição das políticas nacionais, a partir de 2027. Isso incluiria não apenas um alinhamento ideológico, mas principalmente o acesso aos minerais críticos do país, recursos naturais e ao enorme mercado brasileiro.

Rubio, portanto, tem em Flávio não apenas uma peça chave para sua política externa. O candidato do PL é, no fundo, um ativo do republicano para sua própria campanha eleitoral.

Rubio iniciou sua trajetória na política nacional quando o Partido Republicano estava em um momento historicamente difícil. Em 2009, os republicanos perderam a Casa Branca para o democrata Barack Obama. Também perderam o Senado, o que permitiu um avanço sem precedentes das políticas de democratas.

Naquele momento, um dos principais nomes do Partido Republicano era o governador da Flórida, Charlie Crist, um moderado. Ele seria candidato ao Senado, na esperança de frear os Democratas.

Mas foi Rubio, um azarão naquele momento, que causou um terremoto. Crist, diante da rápida ascensão do filho de cubanos,, desistiu da candidatura para concorrer como independente. Na contagem final, Rubio derrotou Crist.

No Senado, ele passou a adotar uma visão de mundo que reivindicava a liderança global para os EUA. Sua participação na Comissão de Relações Exteriores do Senado o colocou como um dos principais atores da política externa. Foi um forte defensor de ações contra a China e foi contra o acordo nuclear de Obama com o Irã em 2015. Na América Latina, adotou um tom duro contra Cuba, Venezuela e mesmo contra Lula. Em 2016, apenas não foi o candidato à presidência por conta do desembarque de Trump.

Hoje, ocupa um dos espaços mais estratégicos nos EUA. Seus papéis duplos como secretário de Estado e conselheiro de segurança nacional só são comparáveis ​​aos de Henry Kissinger, de 1973 a 1975.

Rubio ainda explora o fato de ter tido pais imigrantes que trabalharam como camareira de hotel e barman. Seu discurso ecoa pela mitologia de um país que vende a ideia de que qualquer pessoa, de qualquer lugar, pode alcançar qualquer coisa. Mesmo que seja o chefe da diplomacia de um governo que deporta, prende e até mata.

Cultivando uma imagem de de um “falcão na política externa”, Rubio é o grande responsável por transformar a América Latina em uma zona de influência dos EUA. Para isso, o objetivo deixou de ser derrubar regimes autocráticos para garantir o triunfo da democracia. Hoje, a meta é poder e acesso aos recursos naturais, principalmente com a esperança de frear o avanço chinês no “quintal” americano.

A estratégia tem sido, portanto, a de ocupar espaços. Em praticamente todos os postos na região, Rubio optou por “embaixadores políticos” e, por extensão, por embaixadas como instrumentos plenos de diplomacia econômica.

De acordo com reportagens da imprensa americana, os postos da diplomacia americana na região ainda estão com suas equipes completas, e uma parcela considerável é liderada por embaixadores políticos com linha direta com a Casa Branca: Bernie Navarro no Peru, Kevin Marino Cabrera no Panamá e Peter Lamelas na Argentina.

Para o Brasil, Rubio esperava colocar um de seus aliados, o deputado estadual pela Flórida, Daniel Perez. Por enquanto, Lula determinou que toda a aprovação de novos embaixadores estrangeiros no país seria suspensa até a conclusão da eleição.

Mas tanto a Casa Branca quanto Rubio sabem que, numa eventual vitória de Flávio, Perez desembarcará com plenos poderes para implementar uma política americana no país e um ponto focal para blindar a região de ações de movimentos de esquerda.

 

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