Toffoli admite ser sócio de empresa administrada por irmãos

Ministro do STF afirma que participação societária é regular, nega relação com Daniel Vorcaro e sustenta que empresa deixou grupo ligado ao caso antes de ação chegar ao tribunal
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Por Cleber Lourenço

O gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli divulgou nota oficial após a revelação de mensagens encontradas no celular do empresário Daniel Vorcaro que mencionam seu nome em meio às investigações envolvendo o Banco Master.

No texto, o ministro reconhece que integra o quadro societário da empresa Maridt, mas afirma que a companhia é administrada por seus irmãos e que ele não exerce qualquer função de gestão. A manifestação ocorre na esteira da repercussão das mensagens atribuídas a Vorcaro, que passaram a circular no contexto das apurações sobre o banco.

A nota sustenta que a participação societária é permitida pela Lei Orgânica da Magistratura, desde que o magistrado não pratique atos de administração. Segundo o gabinete, a Maridt é uma sociedade anônima de capital fechado, regularmente constituída e com declarações fiscais aprovadas.

O documento também detalha a relação da empresa com o grupo Tayaya Ribeirão Claro. De acordo com o ministro, a Maridt integrou o grupo até 21 de fevereiro de 2025, mas a participação foi encerrada por meio de duas operações: a venda de cotas ao Fundo Arllen, em setembro de 2021, e a alienação do saldo remanescente à empresa PHD Holding, em fevereiro de 2025.

A cronologia é usada como argumento central da defesa. A ação referente à compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB) foi distribuída ao gabinete de Toffoli em 28 de novembro de 2025, quando, segundo a nota, a empresa já não fazia mais parte do grupo empresarial mencionado.

Além de explicar a estrutura societária, o ministro nega qualquer relação pessoal com Daniel Vorcaro. Afirma que desconhece o gestor do Fundo Arllen, que jamais manteve amizade com o empresário e que nunca recebeu valores de Vorcaro ou de seu cunhado, Fabiano Zettel.

A manifestação do gabinete busca responder às suspeitas levantadas após a divulgação das mensagens e delimitar, do ponto de vista jurídico, a inexistência de conflito de interesses ou vínculo financeiro com os investigados.

Ministro Dias Toffoli (Foto: Reprodução)

A íntegra da nota divulgada pelo gabinete do ministro Dias Toffoli:

Nota do gabinete do ministro Dias Toffoli

A Maridt é uma empresa familiar, constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado, prevista na Lei 6.404/76, devidamente registrada na Junta Comercial e com prestação de declarações anuais à Receita Federal do Brasil. Suas declarações à Receita Federal, bem como as de seus acionistas, sempre foram devidamente aprovadas.

O Ministro Dias Toffoli faz parte do quadro societário, sendo a referida empresa administrada por parentes do Ministro. De acordo com a Lei Orgânica da Magistratura, no artigo 36 da Lei Complementar 35/1979, o magistrado pode integrar o quadro societário de empresas e dela receber dividendos, sendo-lhe apenas vedado praticar atos de gestão na qualidade de administrador.

A referida empresa foi integrante do grupo Tayaya Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025. A participação anteriormente existente foi integralmente encerrada por meio de duas operações sucessivas, sendo a primeira a venda de cotas ao Fundo Arllen, em 27 de setembro de 2021, e a segunda a alienação do saldo remanescente à empresa PHD Holding, em 21 de fevereiro de 2025.

Deve-se ressaltar que tudo foi devidamente declarado à Receita Federal do Brasil e que todas as vendas foram realizadas dentro de valor de mercado.

Todos os atos e informações da Maridt e de seus sócios estão devidamente declarados à Receita Federal do Brasil sem nenhuma restrição.

A ação referente à compra do Banco Master pelo BRB foi distribuída ao Ministro Dias Toffoli no dia 28 de novembro de 2025. Ou seja, quando há muito a Maridt não fazia mais parte do grupo Tayaya Ribeirão Claro.

Ademais, o Ministro desconhece o gestor do Fundo Arllen, bem como jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro. Por fim, o Ministro esclarece que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel.

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