Trump diz que quer comprar Groenlândia e descarta uso da força

Em discurso em Davos, o presidente dos EUA anunciou que quer o início imediato de negociações para comprar Groenlândia
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O presidente dos EUA, Donald Trump, descartou nesta quarta-feira o uso da força para ocupar a Groenlândia. Mas insistiu que quer o território e está propondo o início imediato de negociações para comprar a ilha.

Sua mensagem foi dada em Davos, num discurso no qual ele criticou a Europa, aprofundando o mal-estar entre os dois continentes. Para ele, a Groenlândia é parte do território na América do Norte e insistiu que os EUA seriam os únicos que poderiam defender o local.

Apesar dos ataques, sua decisão de descartar uma ocupação militar — pela primeira vez em meses — deixou líderes em parte aliviados. “Estou propondo o início de uma negociação imediata para comprar o território”, disse.

“Provavelmente não conseguiremos nada a menos que eu decida usar força excessiva, o que nos tornaria, francamente, imparáveis. Mas não farei isso”, afirmou.

“As pessoas pensaram que eu usaria a força. Não preciso usar a força. Não quero usar a força. Não usarei a força. Tudo o que os Estados Unidos estão pedindo é um lugar chamado Groenlândia”, disse ele, enquanto repassava por uma descrição detalhada da força militar do país.

“Só queremos essa terra onde vamos construir o maior escudo de defesa”, afirmou, indicando que o sistema ainda protegeria o Canadá.

Trump acusou a Europa de ingratidão, questionou se a OTAN viria na defesa dos EUA e garantiu que o objetivo pela compra da Groenlândia não são os minérios, e sim a defesa do país. “É um pedido pequeno”, insistiu. “Queremos um pedaço de gelo e eles não querem nos dar”, disse.

Questionado sobre como seria a negociação, Trump evitou dar uma resposta clara. “Está custando milhões para Dinamarca manter (a Groenlândia). É um país pequeno. E é muito importante que usemos o local para segurança nacional e internacional. Vamos ver o que ocorre”, disse.

Para ele, a OTAN trata os EUA “de forma muito injusta”. “Nunca pedimos nada”, completou.

Ele então fez um alerta aos europeus:

“Você pode dizer sim e ficaremos muito agradecidos, ou pode dizer não e nós nos lembraremos”

Provocações

Sua fala foi ainda repleta de provocações e revisionismo histórico. Assim que começou seu discurso, ele alfinetou os participantes indicando que estava diante de “muitos amigos e alguns inimigos”. Por longos minutos, mentiu sobre seus supostos êxitos no primeiro ano de governo e disse que se trata do “maior crescimento que um país já teve”. “As pessoas estão muito felizes comigo”, insistiu.

Provocando os europeus, o chefe da Casa Branca também alertou que foram os americanos que salvaram a Europa dos nazistas. “Sem nós, vocês estariam falando alemão”, lançou.

Trump ainda zombou o sotaque de Emmanuel Macron, presidente da França, e riu de seus óculos usados para proteger problemas que ele teve na visão. “O que será que aconteceu?”, ironizou o americano.

Somália: “mais inteligentes que imaginávamos”

No discurso, ele ainda criticou os imigrantes da Somália em Minneapolis, indicando que os supostos esquemas de corrupção envolvendo os estrangeiros mostrariam que eles são “mais inteligentes que imaginávamos”. “Pensei que o QI era mais baixo”, atacou.

Ela ainda denunciou a Somália de ser um estado fracassado e defendeu a ideia de o Ocidente não “importar culturas”. “Não são nem um país”, insistiu.

Em sua fala, o presidente dos EUA chamou Biden de “esquerda radical” e reconfirmou que considera que a hegemonia americana será defendida. “Somos o motor do mundo. Vocês nos seguem para baixo ou para cima”, disse à plateia de cerca de 5 mil pessoas.

Trump ainda usou o discurso para criticar a Europa, a imigração e gastos públicos. “Existem áreas da Europa que não se pode mais reconhecer. A Europa não está indo na direção boa”, alertou.

O presidente ainda usou a situação na Venezuela para mandar um recado. Segundo ele, o governo venezuelano está cooperando e que essa relação positiva ocorreu depois dos ataques que sequestraram Nicolás Maduro.

“Assim que o ataque parou, pediram para fazer um acordo. Outros deveriam fazer isso”, alertou.

Trump apontou que seu objetivo é o de “ajudar” os venezuelanos e elogiou a obtenção de 50 milhões de barris de petróleo do país. “Eles vão ganhar muito dinheiro. A liderança do país tem sido muito boa”, afirmou.

Pior momento

O discurso ocorreu nesta quarta-feira no Fórum Econômico Mundial, em meio ao pior momento diplomático entre europeus e americanos. O gabinete de Trump chamou a Dinamarca de “irrelevante”, enquanto europeus alertam que precisarão abandonar a cautela diante da agressividade da Casa Branca.

Já Emmanuel Macron, que teve suas mensagens vazadas pelo próprio Trump um dia antes, afirmou que a ofensiva da Casa Branca era uma espécie de “colonialismo”. Scott Bessent, secretário do Tesouro, criticou o que ele chamou de “declarações inflamatórias” por parte do francês.

Segundo informações da agência Bloomberg, a presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, abandonou um jantar VIP depois que o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, começou a criticar a Europa.

A esperança dos europeus é de que a passagem de Trump por Davos sirva para que ele seja convencido a abandonar a ideia de anexar a Groenlândia. Mas uma reunião que estava sendo organizada com o chanceler alemão, Friedrich Merz, teve de ser cancelada diante do atraso na aterrissagem por parte do americano.

Antes da chegada de Trump, o comissário de comércio da UE, Maros Sefcovic, reuniu-se com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, em Davos. “Agora é o momento para o diálogo, não para a escalada”, afirmou a Comissão Europeia. “Queremos resolver isto de forma respeitosa e madura, mas, caso isso não seja possível, temos outras opções em cima da mesa”, disse.

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