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Quem saiu chamado para apagar o incêndio do conflito entre Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência da República, foi Valdemar Costa Neto, presidente do PL. Ele estava nos Estados Unidos acompanhando a Copa do Mundo e precisou antecipar o retorno para reunir Michelle e Flávio separadamente. Os encontros ocorreram nesta terça-feira (30).

Direto de Brasília, a repórter Manuela Borges trouxe a avaliação de que a reunião teria como principal objetivo “medir o tamanho da crise”. O presidente do PL nutre um apreço pela ex-primeira dama, que conseguiu ampliar a bancada do partido no Congresso e, por consequência, o volume de recursos do fundo eleitoral que abastece o partido.

A reunião com Michelle terminou com um desdobramento inesperado. A ex-primeira-dama comunicou a Valdemar que deixará a presidência do PL Mulher, cargo que ocupava desde o início de 2023. Em nota, afirmou que a decisão foi tomada após refletir com Jair Bolsonaro e que pretende se dedicar integralmente aos cuidados do ex-presidente e da filha.

O estopim do conflito

O conflito aberto entre Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro revelou uma ruptura que vai muito além de uma briga familiar. O estopim foi um vídeo gravado pela ex-primeira dama, no qual ela fez críticas veladas à candidatura do enteado à presidência, chegando a insinuar machismo e misoginia sem citar o nome de Flávio diretamente.

Na avaliação do jornalista do ICL Notícias, Cesar Calejon, “Michelle é a figura com maior capital político dentro do movimento”, condição que os filhos do ex-presidente não conseguem mais ignorar nem reverter.

Em entrevista concedida ao UOL, na última segunda-feira (29), o senador tentou minimizar o episódio, declarando que as pesquisas não mostraram impacto e que “para mim é página virada”. No mesmo dia, Michelle deixou de seguir Carlos e Eduardo Bolsonaro nas redes sociais.

A fala de Paulo Figueiredo agrava a crise

O senador ainda tentou conter o estrago mobilizando a mãe e a companheira para recuperar terreno com o eleitorado feminino. A tentativa foi rapidamente soterrada por um aliado: o youtuber Paulo Figueiredo, parceiro de Eduardo Bolsonaro em atividades nos Estados Unidos, gravou um vídeo afirmando que “mulher vota estatisticamente muito mal”.

No ICL Notícias Primeira Edição desta terça-feira (30), a jornalista Vivian Mesquita apontou que o discurso ecoa um movimento que já ocorre nos Estados Unidos, defendendo o chamado “voto por unidade familiar”, conduzido pelo homem.

Segundo o jornalista William de Lucca, as mulheres têm sido determinantes nas eleições presidenciais brasileiras recentes: “a maioria do eleitorado brasileiro é feminino, é ele quem decide as eleições no país inteiro”, destacou. A fala de Figueiredo, portanto, não apenas ofende, mas compromete qualquer estratégia de expansão do campo bolsonarista para 2026.

Nos últimos anos, Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro representam, paradoxalmente, os maiores aliados involuntários do campo progressista. “Ninguém foi capaz de recuperar terreno para o governo Lula como Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro”, ironizou Calejon, lembrando que o próprio Eduardo Cunha e o pastor Silas Malafaia, apontados como aliados históricos do bolsonarismo, já reconheceram publicamente o equívoco estratégico dos dois.

Michelle como herdeira natural do espólio eleitoral

O quadro político da família também pesa. William de Lucca relembrou a situação dos Bolsonaro. O pai está preso em regime domiciliar e os filhos também lidam com os próprios problemas: “Eduardo agora é foragido nos Estados Unidos, o Flávio Bolsonaro responde a dezenas de processos, o Carlos também tem problema na justiça, o Gabinete do Ódio, e o Jair Renan responde inquérito por falsidade ideológica”.

Michelle, ao contrário, não figura em nenhum processo até o momento, uma vantagem que, somada ao domínio de símbolos do eleitorado evangélico e à força junto às mulheres, a coloca numa posição que os demais membros da família não têm condições de ocupar.

Agora, com os filhos do ex-presidente um a um se complicando na Justiça e na política, a ex-primeira-dama aparece como a herdeira natural do espólio eleitoral bolsonarista. Não por escolha dos irmãos, mas pela ausência de alternativas.

Confira o ICL Notícias Primeira Edição desta terça, 30, na íntegra: 

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