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Vereadores retiram apoio à CPI das ONGs, que teria padre Julio Lancellotti como alvo

Thammy Miranda (PL), Xexéu Tripoli (PSDB), Sidney Cruz (Solidariedade) e Sandra Tadeu (União Brasil) alegam que documento não citava religioso
5 de janeiro de 2024

Os vereadores Thammy Miranda (PL), Xexéu Tripoli (PSDB), Sidney Cruz (Solidariedade) e Sandra Tadeu (União Brasil) anunciaram que vão retirar apoio à instalação da CPI das ONGs na Câmara Municipal de São Paulo, proposta por Rubinho Nunes (União Brasil).

Os parlamentares alegam que não foram informados que a CPI teria como um dos alvos o padre Julio Lancellotti. O religioso é responsável por trabalho social na Paróquia de São Miguel Arcanjo, na região da Cracolândia, no Centro.

Em entrevista ao g1, Thammy Miranda afirmou que em nenhum momento o nome do padre Julio Lancellotti constava do requerimento da criação da CPI. Para o vereador, houve “direcionamento político”.

“Nós fomos enganados e apunhalados pelas costas. O documento de CPI nunca citou o padre Julio e usou de uma situação séria para angariar apoio. 90% dos vereadores que assinaram não sabiam do direcionamento político desse vereador [Rubinho]”, afirmou.

“Eu estou do mesmo lado do padre Julio, de cuidar das pessoas. Lamento essa politização que o vereador fez do assunto e já pedi para minha assessoria jurídica acionar a casa e retirar meu apoio a esse projeto”, completou Thammy.

Xexéu Tripoli também confirmou a retirada de apoio à criação da CPI. O vereador afirmou que não tinha conhecimento que o padre Julio Lancellotti seria um dos alvos.

“No início, o proponente alegou que se trava de um CPI para investigar ONGs que atuavam irregularmente no Centro de São Paulo. Nunca foi dito o nome do padre Julio, que é uma pessoa idônea e tem um trabalho que eu admiro e apoio. Há um equívoco e anuncio publicamente a retirada do meu apoio”, avisou Tripoli.

O vereador Sidney Cruz (Solidariedade) disse que protocolou na Câmara a retirada de apoio à CPI. “Assinei achando que era uma investigação séria contra as ONGs clandestinas. No documento não tem nenhuma menção ao padre Julio. Foi equívoco assinar propositura. Se soubesse que havia direcionamento para qualquer CPF ou pessoa pública, jamais teria endossado essa proposta equivocada”, destacou.

“A CPI ainda não existe. Para ela ser instalada, precisa passar pelo plenário e ter 28 votos. Se houver qualquer tentativa de investigar o trabalho do padre Julio ou do padre Rosalvino de Itaquera, por exemplo, que também tem um trabalho lindo na Zona Leste, não terá meu voto no plenário”, declarou a vereadora Sandra Tadeu (União Brasil).

CPI E ASSINATURAS

O pedido de abertura da CPI foi protocolado no dia 6 de dezembro pelo vereador Rubinho Nunes (União Brasil). Segundo ele, a comissão tem a “finalidade de investigar as ONGs que fornecem alimentos, utensílios para uso de substâncias ilícitas e tratamento aos grupos de usuários que frequentam a região da Cracolândia”.

De acordo com o g1, o pedido de abertura da CPI teve 23 assinaturas. Três delas, no entanto, não puderam ser identificadas. No documento, há duas rubricas de Xexéu Tripoli.

REPERCUSSÃO

A instalação da CPI gerou uma onda de apoio. Uma imagem do religioso com a frase “protejam o Padre Julio” começou a ser compartilhada. Diversas figuras públicas se manisfestaram defesa ao trabalho realizado pelo padre com a população em situação de rua na capital paulista.

A repercussão da CPI nas redes sociais foi favorável ao padre Julio Lancellotti. Segundo levantamento do analista de redes Pedro Barciela, que é colunista do ICL Notícias, a plataforma X (antigo Twitter) registrou ontem 273,9 menções ao Padre Julio. Destas, 97,5% foram positivas e apenas 2,5% negativas.

Em entrevista ao ICL Notícias – Segunda edição, na última quarta-feira (03), Padre Julio se manifestou sobre a criação da CPI. “Quando você está do lado dos indesejáveis, você é indesejável também”, disse.

ARQUIDIOCESE

Em nota, a Arquidiocese de São Paulo informou acompanhar com “perplexidade” a possível instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que mira o trabalho do padre Julio Lancellotti, na Câmara de Vereadores de São Paulo.

“Acompanhamos com perplexidade as recentes notícias veiculadas pela imprensa sobre a possível abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que coloca em dúvida a conduta do Padre Júlio Lancellotti no serviço pastoral à população em situação de rua. Perguntamo-nos por quais motivos se pretende promover uma CPI contra um sacerdote que trabalha com os pobres, justamente no início de um ano eleitoral?”, questiona a Arquidiocese de São Paulo.

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