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Imagens registradas pelas agências Reuters e France Presse (AFP) revelaram cenas de tensão nas ruas de Bruxelas nesta quinta-feira (18), quando agricultores europeus incendiaram pneus, arremessaram batatas e outros objetos contra a polícia e provocaram danos materiais nas proximidades do Parlamento Europeu. A repressão policial resultou em ao menos um ferido.

A confusão ocorreu enquanto milhares de produtores rurais, vindos de diferentes países do continente, se concentravam na capital belga com centenas de tratores para protestar contra a política agrícola da União Europeia. O principal alvo da mobilização é o acordo comercial entre o bloco europeu e o Mercosul, que enfrenta forte resistência do setor agrícola.

Os manifestantes também quebraram uma janela do edifício Station Europe, localizado na Praça de Luxemburgo, uma das áreas mais movimentadas da cidade. A polícia interveio para conter o avanço do protesto e dispersar os agricultores, que se mantiveram mobilizados ao longo do dia.

Agricultores europeus estão insatisfeitos com o acordo comercial entre o bloco europeu e o Mercosul (Foto: Nicolas Tucat / AFP)

Pressão sobre líderes europeus durante cúpula decisiva

Os atos coincidem com a realização da última cúpula do ano dos líderes dos 27 países da União Europeia, considerada estratégica para uma eventual assinatura do acordo com o Mercosul. A França lidera a oposição ao tratado, enquanto Itália, Hungria e Polônia estão entre os países que defendem sua aprovação.

Os agricultores afirmam que o acordo ameaça diretamente setores sensíveis da produção europeia, como carne bovina, aves, açúcar e soja. Segundo eles, os países sul-americanos não seguem os mesmos padrões ambientais e sociais exigidos dos produtores da União Europeia, o que criaria uma concorrência desigual.

Contestação a cortes na Política Agrícola Comum

Além das críticas ao acordo comercial, os agricultores também protestam contra a possibilidade de redução nos subsídios ao setor. A Comissão Europeia discute um corte superior a 20% no orçamento da próxima Política Agrícola Comum (PAC), prevista para o período de 2028 a 2034.

“A União Europeia quer reduzir drasticamente o orçamento da PAC enquanto avança com o acordo do Mercosul. Isso é totalmente inaceitável”, afirmou a Federação Valona de Agricultura (FWA) à agência RFI. A entidade participa da manifestação ao lado de dezenas de sindicatos ligados à Copa-Cogeca, principal lobby agrícola europeu.

Insatisfação crescente no campo europeu

A FNSEA, principal sindicato agrícola da França, informou que mais de 10 mil agricultores participaram da mobilização em Bruxelas. O grupo cobra “escolhas claras” dos chefes de Estado e da Comissão Europeia sobre o futuro da agricultura no continente.

Na França, o descontentamento é intensificado pelo avanço da dermatose nodular contagiosa (DNC), doença que afeta o rebanho bovino. A estratégia adotada pelas autoridades, que inclui o abate preventivo em massa de animais, é duramente criticada pelos produtores. Para a Confédération Paysanne, terceiro maior sindicato agrícola francês, “a revolta nas áreas rurais está atingindo níveis sem precedentes”.

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