Fachin adia reunião sobre código de ética no STF para evitar ‘guerra interna’

Ministro avaliou que ambiente poderia levar a embate mais duro entre os pares e aprofundar divergências
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Por Cleber Lourenço

 

O ministro Edson Fachin decidiu adiar a reunião que estava marcada para tratar da criação de um código de ética para os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A avaliação, segundo membros do tribunal ouvidos pela reportagem, é de que o clima interno não era propício para o debate neste momento e poderia resultar em um embate mais duro entre os próprios integrantes da Corte.

De acordo com relatos feitos em caráter reservado, Fachin considerou que a discussão poderia escalar para um confronto público entre ministros, com potencial para expor divergências internas e até provocar um racha no STF. A decisão de adiar a reunião teria como objetivo justamente evitar esse cenário e preservar a coesão institucional do tribunal.

A reunião estava prevista para ocorrer nos próximos dias e teria como foco a apresentação e o debate de diretrizes para um eventual código de ética próprio do STF. A iniciativa vinha sendo defendida por Fachin como uma forma de fortalecer parâmetros de conduta interna e responder a questionamentos recorrentes sobre transparência e conflitos de interesse envolvendo a atuação de ministros.

Nos bastidores, no entanto, a proposta encontrou resistências. Parte dos ministros avalia que o Supremo já está submetido a regras gerais de conduta aplicáveis à magistratura e que a criação de um código específico poderia ser interpretada como resposta a pressões externas ou a críticas de natureza política. Esse entendimento tem sido apontado como um dos principais fatores para o ambiente de tensão que se formou em torno do tema.

Segundo membros do tribunal, havia o receio de que a reunião acabasse se transformando em um espaço de confronto direto entre visões opostas, aprofundando divergências que já existem nos bastidores. Diante desse quadro, Fachin optou por retirar o tema da pauta imediata e aguardar um momento considerado mais adequado para retomar a discussão.

Até o momento, não há nova data definida para a realização da reunião. Interlocutores do STF afirmam que o assunto não foi abandonado, mas deve ser rediscutido apenas quando houver avaliação de que o ambiente interno permite um debate menos tensionado e com maior possibilidade de consenso.

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