ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Mesmo com o aumento da renda, a implementação da isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e o desemprego nos patamares históricos mais baixos do país, levantamento do Datafolha mostra que a percepção dos brasileiros sobre a economia se tornou mais cautelosa nos primeiros meses de 2026. Por outro lado, os brasileiros estão mais otimistas em relação ao futuro, especialmente entre os eleitores do presidente Lula (PT), com renda mais baixa e moradores do Nordeste.

A parcela dos entrevistados que avaliam que a situação econômica do país piorou subiu de 41% em dezembro para 46% em março deste ano. Apesar do avanço da avaliação negativa, o resultado permanece em um patamar intermediário dentro da série recente. Ao mesmo tempo, a fatia dos que avaliam que a economia melhorou passou de 29% para 24% no período.

No início do governo Lula 3, em 2023, o índice chegou a 35%, enquanto o pico ocorreu em abril de 2025, quando 55% apontavam deterioração.

A pesquisa ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 137 municípios entre os dias 3 e 5 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

Otimismo em relação ao futuro da economia

Mesmo com a piora na avaliação do momento atual, o levantamento indica que o otimismo em relação ao futuro ainda prevalece.

Hoje, 30% dos brasileiros acreditam que a economia vai melhorar nos próximos meses, enquanto 35% esperam piora. No fim de 2025, o cenário era mais favorável, com 46% projetando melhora.

O otimismo aparece com mais força entre os brasileiros de renda mais baixa —33% entre aqueles que ganham até dois salários mínimos— e entre moradores do Nordeste (36%). Também é maior entre pretos (32%) e pardos (31%) do que entre brancos (26%).

Entre potenciais eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva, a expectativa positiva é majoritária: 51% acreditam em melhora da economia.

Juros altos e endividamento

Os dados indicam que a mudança de percepção econômica não se refletiu de forma significativa na avaliação do governo federal.

A aprovação da gestão de Luiz Inácio Lula da Silva permaneceu estável em 32% entre dezembro de 2025 e março de 2026. Já a avaliação negativa oscilou de 37% para 40%, dentro da margem de erro.

O período recente foi marcado por fatores que influenciam o ambiente econômico, como a desaceleração da atividade econômica, juros elevados — a taxa básica de juros (Selic) está em 15% ao ano — e aumento do endividamento da população.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, deixará o cargo na próxima semana para disputar o governo de São Paulo.

Situação financeira pessoal

A pesquisa também aponta leve aumento da insatisfação com a situação financeira individual. O percentual dos que dizem que sua condição econômica piorou subiu de 26% para 33%.

Mesmo assim, o otimismo sobre o futuro pessoal permanece predominante. Hoje, 51% afirmam ter expectativa positiva para os próximos meses —percentual inferior aos 60% registrados no fim de 2025, mas ainda majoritário.

Já a proporção dos pessimistas é bem menor: 14%.

Desemprego baixo contrasta com expectativa

Outro ponto captado pela pesquisa é o aumento da expectativa de alta do desemprego. Para 48% dos entrevistados, a taxa deve subir nos próximos meses, ante 42% na última medição sobre o tema.

Ainda assim, o mercado de trabalho brasileiro segue em patamar historicamente favorável. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego no trimestre encerrado em janeiro de 2026 ficou em 5,4%, um dos níveis mais baixos da série histórica comparável.

Analistas do setor privado avaliam que o mercado de trabalho continua forte, embora projetem leve aumento do desemprego ao longo do ano.

Expectativas sobre inflação seguem estáveis

A pesquisa também mostra estabilidade na percepção sobre inflação. Para 61% dos brasileiros, os preços devem continuar subindo nos próximos meses, percentual próximo ao observado ao longo do último ano.

No entanto, projeções do mercado financeiro indicam tendência de desaceleração. O IPCA acumulado em 12 meses até janeiro ficou em 4,44%, e a expectativa para o fim de 2026 é de cerca de 3,9%.

Já em relação ao poder de compra, 32% acreditam que os salários terão ganho real, enquanto 39% preveem redução.

Reforma do Imposto de Renda

O levantamento indica que a recente reforma do Imposto de Renda ainda não gerou impacto claro na percepção sobre a situação financeira pessoal.

Entre brasileiros com renda entre dois e cinco salários mínimos — grupo beneficiado pela ampliação da isenção —, 32% afirmam que sua situação melhorou. O índice é semelhante ao observado em outras faixas de renda.

A medida ampliou a isenção para quem ganha até R$ 5 mil e reduziu o imposto para rendas de até R$ 7.350. O novo imposto mínimo incide sobre dividendos acima de R$ 50 mil mensais.

Carregar Comentários
Assine nosso boletim econômico
Receba gratuitamente os principais destaques e indicadores da economia e do mercado financeiro.