O Ibovespa encerrou a quarta-feira (11) em leve alta, sustentado principalmente pelo desempenho das ações de grandes empresas, apesar do ambiente de cautela nos mercados globais diante da escalada de tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. O principal índice da bolsa brasileira avançou 0,28%, aos 183.969 pontos.
No câmbio, o dólar à vista teve variação discreta e terminou o dia praticamente estável, com alta de 0,03%, cotado a R$ 5,1593.
O foco dos investidores permaneceu concentrado no cenário internacional, enquanto, no plano doméstico, dados econômicos e o noticiário político ficaram em segundo plano. Entre os indicadores, as vendas no varejo cresceram 0,4% em janeiro ante dezembro, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), resultado acima das expectativas do mercado, que projetavam queda de 0,1%. Na comparação anual, o avanço foi de 2,8%.
No campo político, pesquisas eleitorais também chamaram atenção ao indicar empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Entre as ações, o destaque positivo ficou com a Petrobras, cujos papéis acompanharam a forte alta do petróleo no mercado internacional. As ações ordinárias subiram 4,89%, a R$ 48,94, enquanto as preferenciais avançaram 4,36%, a R$ 44,80, ajudando a manter o valor de mercado da companhia acima de R$ 600 bilhões.
Outro movimento relevante foi o da varejista Grupo Pão de Açúcar (GPA), que chegou a cair após protocolar pedido de recuperação judicial, mas virou para alta no fim do pregão e encerrou com ganho de 1,89%, a R$ 2,70, após a aceitação do processo pela Justiça de São Paulo.
Na ponta negativa, a liderança das perdas ficou com a Raízen, que recuou 5,77% após pedir recuperação extrajudicial para suspender por 90 dias o pagamento de dívidas que somam cerca de R$ 65 bilhões. A empresa, controlada por Cosan e Shell, segue no radar do mercado em meio à expectativa por um processo de reestruturação financeira e possíveis aportes de seus controladores.
Mercado externo
Os mercados globais encerraram o dia pressionados pelo aumento das tensões geopolíticas após novos ataques dos Estados Unidos a alvos no Irã, anunciados pelo presidente Donald Trump. O movimento elevou temores de impactos inflacionários via alta do petróleo e levou os índices de Wall Street a mais um dia de perdas.
Nos EUA, o índice de preços ao consumidor (CPI) subiu 0,3% em fevereiro e acumula alta de 2,4% em 12 meses, reforçando a percepção de que o Federal Reserve, o banco central estadunidense, pode adiar o início do ciclo de corte de juros para setembro. Na Europa, o Stoxx 600 recuou 0,59%, enquanto, na Ásia, os mercados fecharam sem direção única, com alta do Nikkei 225 e leve queda do Hang Seng Index.
Em Wall Street, o Dow Jones caiu 0,61%, aos 47.417,27 pontos; o S&P 500, -0,08%, aos 6.775,80 pontos; enquanto o Nasdaq subiu 0,08%, aos 22.716,13 pontos.