Fazenda traça cenários para economia brasileira diante da alta do petróleo

Apesar das incertezas, o ministério avalia que o cenário macroeconômico brasileiro continua relativamente favorável
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Com a escalada do conflito no Oriente Médio e seus efeitos sobre o mercado global de energia, a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda divulgou nesta sexta-feira (13) um relatório com diferentes cenários para a economia brasileira caso o preço do petróleo continue subindo.

O documento analisa como a variação no valor do barril pode afetar inflação, arrecadação do governo e comércio exterior.

No cenário considerado mais extremo pelo governo, chamado de “disruptivo” ou “radical”, o preço médio do petróleo poderia chegar a US$ 100 por barril ao longo do ano.

Nesse caso, o impacto sobre a inflação seria significativo, podendo levar o índice acima de 4%. Por outro lado, o aumento das cotações também ampliaria a arrecadação federal e o saldo da balança comercial.

Segundo o Ministério da Fazenda, a elevação no preço do petróleo tende a aumentar diretamente as receitas públicas.

De acordo com o documento, “a alta nos preços do petróleo também impacta a arrecadação do governo central. De forma direta, o choque eleva a arrecadação de royalties e participações especiais pagas pelas empresas exploradoras e os tributos recolhidos sobre o lucro das empresas da cadeia de produção, refino e distribuição de petróleo e derivados (IRPJ e CSLL)”.

O governo também aponta efeitos indiretos na arrecadação, já que mudanças no preço da commodity podem alterar a base de cálculo de outros tributos.

Três cenários para o preço do petróleo

O relatório apresenta três possíveis cenários para a evolução do preço do petróleo e seus impactos na economia brasileira:

1. Choque temporário

Preço médio do barril: US$ 73,1
Impacto na inflação: +0,14 ponto percentual
Balança comercial: aumento de US$ 2,5 bilhões
Arrecadação adicional: R$ 21,4 bilhões

2. Choque persistente

Preço médio do barril: US$ 82
Impacto na inflação: +0,33 ponto percentual
Balança comercial: aumento de US$ 5,1 bilhões
Arrecadação adicional: R$ 48,3 bilhões

3. Choque disruptivo

Preço médio do barril: US$ 100
Impacto na inflação: +0,58 ponto percentual
Balança comercial: aumento de US$ 10,3 bilhões
Arrecadação adicional: R$ 96,6 bilhões
Riscos maiores podem afetar crescimento global

O governo destaca que impactos mais severos no preço do petróleo podem gerar efeitos econômicos mais amplos, especialmente se o conflito se intensificar.

Segundo o relatório, “em cenários ainda mais disruptivos, o aumento da incerteza e aversão ao risco tendem a prejudicar o comércio e crescimento mundial, levando a quadro de estagflação”. Nesse caso, o desempenho da economia brasileira também poderia ser afetado negativamente.

Perspectiva para a economia  brasileira em 2026 segue positiva

Apesar das incertezas provocadas pela guerra, o Ministério da Fazenda avalia que o cenário macroeconômico brasileiro continua relativamente favorável.

Nas simulações feitas pela equipe econômica, o aumento no preço do petróleo tende a beneficiar alguns indicadores, como atividade econômica, saldo comercial e arrecadação, embora possa pressionar a inflação em situações mais extremas.

Por isso, a expectativa do governo é que o crescimento econômico permaneça resiliente em 2026, com inflação em trajetória de queda e possibilidade de cumprimento da meta de resultado primário nas contas públicas.

No cenário considerado base pela equipe econômica — que assume um choque temporário no preço do petróleo e barril em média de US$ 73,6 neste ano — a previsão de inflação para 2026 foi revisada de 3,6% para 3,7%. Em 2025, o índice oficial havia fechado em 4,26%.

Já a estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) permanece em 2,3%, o mesmo ritmo observado no ano anterior, indicando estabilidade na expansão da economia.

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