Os mercados globais iniciam esta terça-feira (17) sob pressão, com os índices futuros de Nova York recuando após o fôlego positivo registrado na sessão anterior. O principal fator por trás da mudança de humor dos investidores é a forte alta do petróleo, impulsionada pela escalada das tensões no Oriente Médio.
A instabilidade geopolítica segue no radar, especialmente por conta do impacto no Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas para o transporte de petróleo no mundo. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a cobrar maior envolvimento internacional para garantir a segurança da região e sinalizou a possibilidade de intensificar ataques a estruturas ligadas ao setor energético. Do outro lado, o Irã elevou ainda mais a tensão ao atingir um importante campo de gás, agravando os riscos de desabastecimento global.
Além do cenário geopolítico, os investidores aguardam a decisão de política monetária do Federal Reserve, prevista para quarta-feira (18). A expectativa majoritária do mercado é de manutenção dos juros no intervalo entre 3,50% e 3,75%, mesmo diante das pressões inflacionárias provocadas pela alta do petróleo. O conflito no Oriente Médio reforça a cautela da autoridade monetária, que segue distante da meta de inflação.
Brasil
Depois de dois pregões de perdas, o Ibovespa voltou a subir nesta sessão e registrou alta de 1,25%, encerrando aos 179.875 pontos. O movimento refletiu uma melhora no humor dos mercados globais após novas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o comércio de petróleo do Irã.
O dia também foi positivo para o câmbio e os juros no Brasil. O dólar comercial caiu 1,60%, fechando em R$ 5,229, enquanto os juros futuros recuaram ao longo de toda a curva.
Estados Unidos
No desempenho dos índices futuros em Nova York, o cenário é negativo.
Dow Jones Futuro: -0,34%
S&P 500 Futuro: -0,39%
Nasdaq Futuro: -0,45%
Ásia
Na Ásia, os mercados tiveram desempenho misto, com destaque positivo para empresas de tecnologia e do setor automotivo. O otimismo foi impulsionado por projeções robustas de receita divulgadas pela Nvidia, além de parcerias com montadoras da região. Ainda assim, investidores seguem atentos aos desdobramentos do conflito e à possibilidade de adiamento de um encontro entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping.
Shanghai SE (China), -0,85%
Nikkei (Japão): -0,09%
Hang Seng Index (Hong Kong): +0,13%
Nifty 50 (Índia): +0,59%
ASX 200 (Austrália): +0,36%
Europa
Na Europa, as bolsas operam em baixa, refletindo a volatilidade no mercado de energia e a cautela diante dos riscos de oferta global. Investidores também acompanham a divulgação de balanços corporativos e indicadores econômicos da região.
STOXX 600: -0,11%
DAX (Alemanha): -0,29%
FTSE 100 (Reino Unido): +0,14%
CAC 40 (França): -0,08%
FTSE MIB (Itália): -0,09%
Petróleo
No mercado de commodities, o petróleo dispara mais de 4%, diante das incertezas sobre a segurança da navegação no Golfo e da continuidade dos ataques à infraestrutura energética no Oriente Médio.
Petróleo WTI, +4,59%, a US$ 97,79 o barril
Petróleo Brent, +4,11%, a US$ 104,33 o barril
Agenda
A agenda desta terça-feira (17) é mais leve e serve como preparação para a chamada “Super Quarta”, quando os bancos centrais dos Estados Unidos e do Brasil anunciam suas decisões sobre juros, em um cenário de incertezas ampliadas pelas tensões geopolíticas.
No Brasil, o destaque do dia é a divulgação do IGP-10 de março pela FGV, com expectativa de leve queda de 0,28%. Já nos Estados Unidos, os investidores acompanham indicadores como a criação de empregos no setor privado (ADP), dados do mercado imobiliário e os estoques semanais de petróleo.
Às vésperas das decisões, membros do Federal Reserve discutem os possíveis impactos do conflito com o Irã — que podem ir desde desaceleração econômica até uma inflação mais persistente.