Como já era amplamente esperado, o banco central dos EUA manteve os juros entre 3,50% e 3,75% ao ano, mas o tom adotado gerou desconforto nos mercados globais. A autoridade monetária deixou claro que “as incertezas aumentaram”, especialmente diante do cenário internacional. No Brasil, o impacto foi imediato. O Ibovespa, que chegou a operar em alta ao longo do dia, virou para queda após a coletiva de Jerome Powell.
O índice encerrou o pregão com recuo de 0,43%, aos 179.639,91 pontos, uma perda de 769,82 pontos.
Já o dólar comercial acompanhou o movimento global e subiu 0,90%, a R$ 5,246, em linha com a valorização da moeda americana no exterior. Os juros futuros (DIs) também avançaram em toda a curva.
Apesar da manutenção da taxa, a decisão não foi unânime — um dos membros defendeu um corte de 0,25 ponto percentual.
No geral, porém, o comunicado do Comitê Federal de Mercado Aberto trouxe poucas mudanças em relação à reunião anterior. A principal diferença foi a inclusão de menções ao conflito envolvendo Estados Unidos e Irã.
Powell destacou que ainda é cedo para medir os efeitos econômicos da guerra, mas alertou para possíveis impactos relevantes.
Petróleo elevado reforça temor inflacionário
O cenário de incerteza é agravado pela alta do petróleo, que segue acima de US$ 100 por barril após novos ataques no Oriente Médio.
O presidente Donald Trump aposta que o impacto será temporário, mas o mercado não demonstra a mesma confiança — especialmente diante da falta de uma solução rápida para o conflito.
A combinação de energia cara e inflação persistente pode levar à manutenção de juros elevados por mais tempo nos EUA.
No Brasil, o foco agora se volta para o Comitê de Política Monetária, que divulga sua decisão após o fechamento do mercado.
A combinação de conflito no Oriente Médio, petróleo caro e postura cautelosa dos bancos centrais reacendeu dúvidas sobre o início — e o ritmo — de cortes de juros no país.
Enquanto isso, o governo tenta conter os efeitos da alta dos combustíveis, enfrentando resistência de governadores e pressão de caminhoneiros.
Destaque do Ibovespa: Vale cai, Petrobras sobe
No mercado acionário, o dia foi marcado por perdas em setores sensíveis ao cenário externo: Vale caiu 2,32%; Bancos como Itaú Unibanco, Bradesco e Santander Brasil também recuaram.
Na contramão, as petroleiras se beneficiaram da alta do petróleo: Petrobras subiu 1,34%; PRIO avançou 5,33%.
Entre os destaques positivos, a Eneva disparou mais de 15%, impulsionada por expectativas em leilões do setor.