A deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP) acionou o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) com um pedido de investigação da conduta do desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo. O magistrado afirmou que esteve no apartamento do tenente-coronel da PM Geraldo Leite, investigado pela morte da soldado Gisele Alves Santana, “na condição de amigo”.
Sâmia solicita a abertura de procedimento disciplinar por possível violação ao Código de Ética da Magistratura, argumentando que a atitude pode comprometer a percepção de imparcialidade do Judiciário. “A postura do desembargador sugere, na visão da sociedade, algum tipo de influência sobre o caso”, afirma.
A deputada ressalta que autoridades judiciais devem evitar condutas que coloquem em dúvida sua independência. “Não basta ser imparcial, é necessário também preservar a confiança pública na atuação da Justiça”, diz.
No ofício, a parlamentar solicita que o CNJ apure os fatos e, caso identifique irregularidades, adote as medidas cabíveis. Ela defende que o episódio exige rigor institucional, especialmente diante da gravidade do caso.
“A sociedade acompanha com atenção casos como esse, e qualquer sinal de proximidade indevida entre autoridades e investigados pode abalar a confiança nas investigações e no sistema de Justiça”, aponta.

Entenda o caso
Na última semana, o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan disse em seu depoimento à Polícia Civil que foi ao apartamento onde a soldado Gisele Alves Santana foi encontrada morta com um tiro na cabeça a pedido do marido dela, o tenente-coronel Geraldo Leite, como amigo e não na função de magistrado.
Câmeras de monitoramento do condomínio onde o casal morava no Brás, região central, gravaram o momento em que o desembargador chegou ao apartamento momentos após Gisele ter sido baleada, no dia 18 de fevereiro. As imagens mostram Cogan conversando com Geraldo perto de outros PMs que tinham ido atender a ocorrência.
O crime foi inicialmente classificado como suicídio. A denúncia da família sobre o relacionamento tumultuado entre os dois, no entanto, levou a Polícia Civil a aprofundar as investigações do caso. A conclusão, após laudos periciais 30 dias depois do crime, é de que Gisele Alves não teria se matado, mas sim sido vítima de homicídio.
O tenente-coronel Geraldo Neto foi indiciado pelos crimes de feminicídio e fraude processual. Ele foi preso nesta quarta-feira (18), em São José dos Campos, após a detenção ter sido autorizada pela Justiça Militar de São Paulo.