Deputada aciona CNJ contra desembargador que visitou coronel investigado por feminicídio

Sâmia Bomfim pede apuração disciplinar por possível violação de imparcialidade após magistrado afirmar que foi ao local “como amigo”
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

A deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP) acionou o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) com um pedido de investigação da conduta do desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo. O magistrado afirmou que esteve no apartamento do tenente-coronel da PM Geraldo Leite, investigado pela morte da soldado Gisele Alves Santana, “na condição de amigo”.

Sâmia solicita a abertura de procedimento disciplinar por possível violação ao Código de Ética da Magistratura, argumentando que a atitude pode comprometer a percepção de imparcialidade do Judiciário. “A postura do desembargador sugere, na visão da sociedade, algum tipo de influência sobre o caso”, afirma.

A deputada ressalta que autoridades judiciais devem evitar condutas que coloquem em dúvida sua independência. “Não basta ser imparcial, é necessário também preservar a confiança pública na atuação da Justiça”, diz.

No ofício, a parlamentar solicita que o CNJ apure os fatos e, caso identifique irregularidades, adote as medidas cabíveis. Ela defende que o episódio exige rigor institucional, especialmente diante da gravidade do caso.

“A sociedade acompanha com atenção casos como esse, e qualquer sinal de proximidade indevida entre autoridades e investigados pode abalar a confiança nas investigações e no sistema de Justiça”, aponta.

Gisele Alves Santana

Entenda o caso

Na última semana, o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan disse em seu depoimento à Polícia Civil que foi ao apartamento onde a soldado Gisele Alves Santana foi encontrada morta com um tiro na cabeça a pedido do marido dela, o tenente-coronel Geraldo Leite, como amigo e não na função de magistrado.

Câmeras de monitoramento do condomínio onde o casal morava no Brás, região central, gravaram o momento em que o desembargador chegou ao apartamento momentos após Gisele ter sido baleada, no dia 18 de fevereiro. As imagens mostram Cogan conversando com Geraldo perto de outros PMs que tinham ido atender a ocorrência.

O crime foi inicialmente classificado como suicídio. A denúncia da família sobre o relacionamento tumultuado entre os dois, no entanto, levou a Polícia Civil a aprofundar as investigações do caso. A conclusão, após laudos periciais 30 dias depois do crime, é de que Gisele Alves não teria se matado, mas sim sido vítima de homicídio.

O tenente-coronel Geraldo Neto foi indiciado pelos crimes de feminicídio e fraude processual. Ele foi preso nesta quarta-feira (18), em São José dos Campos, após a detenção ter sido autorizada pela Justiça Militar de São Paulo.

Carregar Comentários
Assine nossa newsletter
Receba nossos informativos diretamente em seu e-mail