Israel atinge setor de gás do Irã; mísseis caem em Tel Aviv

Escalada militar avança enquanto EUA falam em negociação, negada por Teerã
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A troca de ataques entre Israel e Irã ganhou novos contornos nesta terça-feira (24), com bombardeios a estruturas energéticas iranianas e uma resposta com mísseis lançados contra Tel Aviv. A intensificação ocorre um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que há negociações em andamento, o que foi negado por Teerã.

De acordo com a imprensa iraniana, dois complexos ligados ao setor de gás e um gasoduto foram atingidos por ataques israelenses. Entre os alvos estão um prédio administrativo e uma estação de regulação de pressão em Isfahan, que sofreram danos parciais. Outro ponto atingido fica no sudoeste do país, onde um gasoduto conectado a uma usina elétrica foi bombardeado, embora sem detalhes oficiais sobre os prejuízos.

Mais mísseis iranianos foram em direção a Tel Aviv, onde deixaram quatro feridos, segundo imprensa local (Foto: Jack Guez / AFP)

Resposta do Irã

Poucas horas depois, o Irã respondeu com uma nova ofensiva de mísseis contra Israel. Sirenes de alerta foram acionadas em Tel Aviv, e projéteis atingiram áreas residenciais, deixando ao menos quatro feridos, segundo a imprensa local. Equipes de resgate foram mobilizadas para buscar possíveis vítimas sob os escombros.

O impacto destruiu parcialmente edificações e espalhou destroços pelas ruas. Autoridades israelenses avaliam que o ataque pode ter sido realizado com um míssil de fragmentação, equipado com múltiplas ogivas explosivas.

A escalada também atingiu países do Golfo. No Kuwait, estilhaços da defesa aérea danificaram linhas de transmissão de energia, causando interrupções. Alertas de mísseis foram registrados no Bahrein, enquanto a Arábia Saudita informou ter interceptado 19 drones iranianos.

O cenário se desenrola em meio a sinais contraditórios sobre uma possível solução diplomática. Trump declarou na véspera que houve avanços em conversas com o Irã e anunciou o adiamento de um plano de ataque a infraestruturas energéticas iranianas, condicionado à reabertura do estratégico Estreito de Hormuz. Autoridades israelenses veem a tentativa americana de acordo com ceticismo.

Acusações contra EUA e Israel

Do lado iraniano, a narrativa é oposta. O presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf, acusou Estados Unidos e Israel de disseminarem informações falsas para influenciar mercados e encobrir a realidade do conflito.

A instabilidade também se refletiu nos mercados internacionais. Após uma breve queda motivada pelo anúncio de Trump, os preços do petróleo voltaram a subir diante da continuidade dos confrontos. Segundo o site Axios, representantes americanos, como Steve Witkoff e Jared Kushner, podem se reunir com autoridades iranianas no Paquistão nos próximos dias, possivelmente com a presença do vice-presidente J. D. Vance.

Em paralelo, o Irã anunciou mudanças em sua estrutura de segurança. Mohammad Baqer Zolqadr foi nomeado chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, substituindo Ali Larijani, morto em um bombardeio israelense na semana passada. Larijani era considerado uma figura-chave na articulação interna do regime e próximo ao líder supremo Mojtaba Khamenei.

Em outra frente, Israel indicou que ampliará sua presença militar no sul do Líbano. O ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou que tropas devem controlar áreas estratégicas até o rio Litani, retomando uma ocupação semelhante à realizada entre 1982 e 2000. A medida eleva o temor de uma permanência prolongada na região e reacende tensões com o grupo Hezbollah.

Com três semanas de confrontos, o conflito se amplia em diferentes frentes e aumenta a preocupação internacional diante do risco de uma guerra regional de maiores proporções.

 

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