O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar acordos envolvendo a exploração de terras-raras por estrangeiros no país e afirmou que o Brasil não pode abrir mão de recursos considerados estratégicos. Em entrevista a Eduardo Moreira e Leandro Demori, no ICL Notícias — 1ª edição, nesta quarta-feira (8), Lula fez críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e ao ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD) por tentar “vender” os minerais críticos.
“O Flávio Bolsonaro quer vender para os Estados Unidos algo que é muito importante para o Brasil”, disse Lula, sobre declarações recentes de Flávio sobre as terras-raras.
O senador, em evento nos EUA, defendeu o fornecimento de minerais críticos do Brasil ao governo de Donald Trump. O Brasil é a solução da América (Estados Unidos) para quebrar a dependência da China em minerais críticos, especialmente terras-raras”, disse Flávio Bolsonaro.
Lula também criticou o ex-governador goiano, Ronaldo Caiado. Os Estados Unidos garantiram acesso às terras raras produzidas pela mineradora Serra Verde, localizada em Minaçu, no norte de Goiás. O acordo está ligado a um financiamento de US$ 565 milhões e ocorre em meio a articulações para ampliar a exploração do setor.
“É uma vergonha o que o Caiado fez em Goiás. Fez um acordo com empresas americanas, concedendo algo que não pode, porque é da União”, disse Lula.
Donald Trump
Lula afirmou, em referência ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que “um cidadão no mundo que acha que é imperador”. O presidente Lula destacou a importância econômica e tecnológica das terras raras, conjunto de minerais essenciais para a indústria moderna.
“Nós temos um cidadão no mundo que acha que é imperador, todo dia faz um tweet, decide uma coisa, e o Brasil não pode ficar vulnerável. Somos um país muito grande, com um potencial extraordinário, ainda mais agora que surgiu esse fenômeno das terras raras”, afirmou.

Segundo o presidente, esses minerais são fundamentais para a produção de tecnologias estratégicas. “As terras raras têm componentes químicos que permitem criar baterias de carros elétricos, chips de celular. Tudo que é digital hoje depende delas. O Brasil só tem 30% do território pesquisado e, mesmo assim, já somos o segundo maior país do mundo em terras raras. Os países desenvolvidos querem isso.”
Soberania nacional
Lula afirmou que a exploração de recursos naturais deve ser tratada como questão de soberania nacional e criticou o que chamou de postura submissa de parte da elite política. “Se a gente deixar, essa gente vai vender o Brasil, e nós não podemos permitir. Depois de levarem nosso ouro, nossa prata, nosso diamante, nossa floresta, o que mais querem?”
O presidente também criticou setores que, segundo ele, defendem interesses externos. “Há brasileiros com complexo de vira-lata que vão aos Estados Unidos pedir para o Trump invadir o país. E nós vamos deixar? Não. Isso vai fazer parte da luta política.”
Lula defende urnas eletrônicas e diz que críticas ao sistema eleitoral são ‘mentira’
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu em defesa do sistema eleitoral brasileiro e afirmou que nenhum país tem legitimidade para questionar a lisura das eleições no Brasil.
“Nenhum país do mundo tem o direito de levantar qualquer suspeita sobre o processo eleitoral brasileiro. Desde que eu disputo eleição para presidente, ou eu fui primeiro ou segundo. Quando não fui, a Dilma foi duas vezes e o Haddad ficou em segundo. Se fosse possível fraudar a urna eletrônica, eu não teria sido eleito presidente três vezes”, disse.
Lula também afirmou que chefes de Estado estrangeiros não devem interferir ou opinar sobre o processo eleitoral brasileiro. “Ninguém — nem Donald Trump, nem Emmanuel Macron, nem Xi Jinping — tem o direito de colocar sob suspeita o processo eleitoral brasileiro por causa do comportamento da nossa Justiça Eleitoral.”
Ele acrescentou que, caso haja declarações nesse sentido, o governo brasileiro reagirá politicamente. “Se ele (Trump) fizer isso, nós vamos dizer que ele está mentindo, que não é verdade. Vai criar um enfrentamento político desnecessário.”
Ao comentar diretamente sobre Donald Trump, Lula defendeu uma relação baseada no respeito mútuo entre os países. “Eu digo ao Trump o seguinte: ‘Olha, você tem 80 anos, vamos conversar com seriedade a relação entre os nossos países’. São anos de relação diplomática. O Brasil não quer briga com os Estados Unidos, não quer brigar com ninguém. O Brasil quer respeito, porque a gente sabe respeitar.”