Quaest: 72% dos brasileiros têm dívidas; maioria também relata alta nos alimentos

Levantamento indica aumento da pressão sobre o orçamento das famílias
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Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (15) revela que 72% dos brasileiros possuem algum nível de endividamento. Desse total, 29% afirmam ter muitas dívidas e 43% relatam ter poucas. Outros 28% dizem não possuir dívidas. Além disso, 70% apontam sentir alta nos preços dos alimentos.

O levantamento, encomendado pela Genial Investimentos, ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 9 e 13 de abril. A margem de erro é de dois pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%.

A pesquisa também mostra ampla adesão a políticas públicas de apoio a famílias endividadas. Segundo os dados, 70% dos entrevistados defendem que o governo federal amplie os recursos destinados a programas de renegociação de dívidas, enquanto 24% são contrários e 6% não souberam opinar.

Entre as iniciativas avaliadas, o programa Desenrola Brasil apresenta melhora na aprovação: 46% dizem aprovar a medida (ante 42% em dezembro), 9% desaprovam (eram 6%) e 45% afirmam não conhecer o programa, número que recuou em relação aos 52% registrados anteriormente.

Percepção de piora econômica ganha força

Metade dos entrevistados (50%) considera que a economia brasileira piorou nos últimos 12 meses, em trajetória de alta desde o início do ano. Em março, esse índice era de 48%, enquanto em janeiro e fevereiro marcava 43%.

A parcela que percebe melhora caiu para 21%, ante 24% no mês anterior. Já 27% avaliam que a situação permaneceu igual.

Expectativas para os próximos meses recuam

A expectativa de melhora da economia segue em queda ao longo de 2026. Em abril, 40% acreditam em melhora nos próximos 12 meses, abaixo dos 48% registrados em janeiro.

Por outro lado, 32% projetam piora — após pico de 34% em março — e 23% esperam estabilidade no cenário econômico.

Inflação de alimentos e perda do poder aquisitivo

A alta nos preços dos alimentos aparece como um dos principais fatores de insatisfação. Segundo a pesquisa, 72% dos entrevistados afirmam que os preços subiram no mês anterior, um salto de 14 pontos percentuais em relação a março.

Outros 18% dizem que os preços ficaram estáveis e 8% apontam queda.

A percepção de perda de poder aquisitivo também se agravou. Para 71% dos brasileiros, atualmente é possível comprar menos do que há um ano. Em março, esse percentual era de 64%.

Apenas 11% afirmam conseguir comprar mais, enquanto 17% dizem que não houve mudança.

Isenção do IR tem alcance limitado

O levantamento indica ainda que a maioria da população não foi beneficiada pela isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Apenas 31% afirmam ter sido contemplados, enquanto 66% dizem não ter recebido o benefício.

Os resultados permanecem estáveis em relação à pesquisa anterior.

Principais tópicos da pesquisa

  • 72% dos brasileiros possuem dívidas (29% muitas; 43% poucas)
  • 70% apoiam aumento de gastos públicos em renegociação de dívidas
  • 46% aprovam o programa Desenrola Brasil; 45% ainda não conhecem
  • 50% avaliam que a economia piorou nos últimos 12 meses
  • 40% acreditam em melhora da economia no próximo ano (queda desde janeiro)
  • 72% percebem alta nos preços dos alimentos
  • 71% relatam perda de poder de compra
  • 66% não foram beneficiados pela isenção do IR até R$ 5 mil

 

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