Banco Central reduz taxa de juros pela 2ª vez seguida, para 14,50% ao ano

No comunicado, BC indicou que manterá postura cautelosa diante da incerteza global
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Conforme já esperado pelo mercado financeiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou, no início da noite desta quarta-feira (29), redução da taxa básica de juros, a Selic, em 0,25 ponto percentual, de 14,75% para 14,50% ao ano. Foi a segunda queda consecutiva depois de o BC manter a Selic inalterada desde meados de 2025.

No comunicado publicado com a decisão, o colegiado citou o ambiente internacional, que segue marcado por forte instabilidade, especialmente devido às incertezas em torno dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio.

Segundo a autoridade monetária, esse cenário tem gerado reflexos diretos nas condições financeiras globais.

De acordo com o comunicado, “o ambiente externo permanece incerto, em função da indefinição a respeito da duração, extensão, e desdobramentos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio”, o que exige maior cautela por parte de países emergentes.

A instituição também ressaltou que há aumento da volatilidade nos preços de ativos e commodities, o que contribui para elevar os riscos no cenário global.

Por outro lado, o colegiado alegou que a decisão de reduzir os juros “é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante”.

A próxima reuinão do BC aconteceu nos dias 16 e 17 de junho.

Inflação preocupa

No cenário doméstico, o Banco Central avalia que a atividade econômica segue trajetória de moderação, conforme esperado, enquanto o mercado de trabalho ainda demonstra resiliência.

Apesar disso, a inflação continua sendo um ponto de atenção. “Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram, distanciando-se adicionalmente da meta”, informou o documento.

As expectativas de inflação também permanecem acima do objetivo oficial. Para 2026 e 2027, as projeções são de 4,9% e 4,0%, respectivamente, segundo a pesquisa Focus.

Riscos inflacionários seguem elevados

O Copom destacou também que os riscos para a inflação permanecem elevados, tanto no cenário de alta quanto de baixa.

Entre os fatores de pressão inflacionária, o citou a possibilidade de “uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado”, além da persistência da inflação de serviços e impactos cambiais.

Por outro lado, há riscos de desaceleração econômica mais intensa, tanto no Brasil quanto no exterior, que poderiam contribuir para reduzir a inflação. Também foi mencionada a possibilidade de queda nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.

Política monetária segue em calibração

O Copom afirmou que continua monitorando os efeitos da política fiscal e das condições econômicas sobre os mercados financeiros, reforçando a necessidade de cautela.

Segundo o comunicado, “as projeções de inflação apresentam distanciamento adicional em relação à meta no horizonte relevante”, ao mesmo tempo em que aumentou significativamente a incerteza sobre essas projeções.

Diante desse cenário, o comitê optou por dar continuidade ao processo de ajuste da política monetária, considerando os efeitos já observados da taxa de juros elevada sobre a atividade econômica.

Próximos passos dependerão de cenário externo

Para as próximas decisões, o Banco Central indicou que manterá postura cautelosa diante do aumento da incerteza global.

O comunicado enfatiza que “os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros” dependerão de novas informações, especialmente sobre os desdobramentos dos conflitos no Oriente Médio e seus impactos sobre a inflação.

Decisão unânime em comitê desfalcado

A decisão foi unânime entre os membros do comitê presentes na reunião, incluindo o presidente do BC, Gabriel Galípolo. O diretor Rodrigo Alves Teixeira não participou das sessões do Copom por motivos pessoais.

Além de Teixeira, o presidente Lula ainda não indicou substitutos para Renato Dias de Brito Gomes, da Organização do Sistema Financeiro, e Diogo Abry Guillen, da Política Econômica, cujos mandatos terminaram em dezembro passado.

 

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