Por Cleber Lourenço
A Polícia Civil do Distrito Federal investiga as circunstâncias em que uma arma registrada em nome do ex-presidente Jair Bolsonaro foi encontrada com um integrante de sua equipe de segurança, que afirmou aos policiais ter retirado o armamento para reparo e que pretendia devolvê-lo ao ex-presidente já no dia seguinte.
A informação foi divulgada inicialmente pelo portal Metrópoles e confirmada pelo ICL Notícias.
O caso ocorreu durante uma blitz da Polícia Militar em Taguatinga, na noite de segunda-feira (15), e chamou atenção porque Bolsonaro cumpre atualmente prisão domiciliar por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo o registro da ocorrência, o armamento estava na posse de um sargento do Exército identificado como Estácio, integrante do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) que atua na segurança do ex-presidente. Durante a abordagem, o militar informou que a arma pertencia a Bolsonaro e explicou que havia retirado o equipamento para realizar um reparo mecânico.
Em depoimento, o sargento afirmou que o armamento apresentava uma falha relacionada ao percussor e que, após o conserto, seria devolvido ao proprietário já nesta terça-feira (16).
A declaração passou a integrar a investigação aberta pela Polícia Civil, que deverá apurar a regularidade da posse temporária da arma, seu transporte e a documentação apresentada pelo militar durante a abordagem.
O ponto que mais chamou atenção no caso é justamente a alegação de que a arma retornaria para Bolsonaro imediatamente após a manutenção. O ex-presidente cumpre prisão domiciliar desde março deste ano, após decisão do ministro Alexandre de Moraes fundamentada em razões de saúde.

Condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado, organização criminosa armada e abolição violenta do Estado Democrático de Direito, Bolsonaro permanece submetido às condições impostas pela Corte para o cumprimento da pena em regime domiciliar.
Nesse contexto, a Polícia Civil busca esclarecer não apenas a regularidade do transporte da arma, mas também as circunstâncias envolvendo sua guarda e a previsão de devolução ao ex-presidente.
Diante das dúvidas levantadas pelo caso, o ICL Notícias procurou o gabinete do ministro Alexandre de Moraes, responsável pelo acompanhamento da execução da pena de Bolsonaro, para questionar se existe alguma restrição específica relacionada à posse, guarda ou acesso a armamentos registrados em nome do ex-presidente durante o cumprimento da prisão domiciliar. Até a publicação desta reportagem, não houve retorno.
Apesar de possuir porte funcional, o sargento foi conduzido à delegacia para prestar esclarecimentos. A arma acabou apreendida e encaminhada para análise da Polícia Civil.
Até o momento, também não houve manifestação pública da defesa de Bolsonaro sobre o caso. A investigação deverá esclarecer se o transporte do armamento observava todas as exigências legais e quais eram as condições previstas para sua devolução ao ex-presidente.