Flávio diz que quer ‘se libertar’ do Mercosul e faz oferta aos Estados Unidos

Pré-candidato sugere limitar conexão do Pix a sistemas “não ocidentais” e ampliar acordos com os EUA
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Por Marcos Hermanson, Ricardo Della Coletta e Augusto Tenório

(Folhapress) – O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enviou ao governo dos Estados Unidos um documento em que oferece vantagens comerciais aos americanos, como a eliminação de tarifas para o etanol e a redução da carga tributária de empresas de cartão de crédito.

No dossiê enviado ao USTR (Escritório do Representante Comercial dos EUA) pelo gabinete do senador, Flávio defende o Pix como um dos marcos da gestão Bolsonaro e contesta as alegações de conflito de interesses feitas pela gestão Trump, apontando que o Fed, banco central americano, também opera uma ferramenta de pagamento chamada FedNow.

Apesar disso, propõe um “compromisso legislativo” de que o Pix não será conectado a arranjos de liquidação transfronteiriços “não ocidentais” – numa referência à China. Hoje o sistema de pagamentos instantâneos não faz transferências internacionais, e o documento não deixa claro como seria esse veto a sistemas estrangeiros.

O senador do PL propõe a “busca agressiva” de acordos comerciais que aumentem o comércio e o investimento entre as duas nações. Nesse sentido, propõe que o Brasil “se liberte das amarras” do Mercosul – o bloco de comércio restringe negociações bilaterais – como fez o presidente argentino, Javier Milei.

Ao criticar o Mercosul, Flávio repete a retórica do início do governo de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que perseguiu uma agenda contrária ao bloco.

Como mostrou a Folha de S.Paulo, o mesmo documento defende que a aplicação de uma nova tarifa de 25% com base nas investigações do USTR é um erro político que vai ajudar ao presidente Lula (PT), provável adversário de Flávio nas eleições deste ano.

O senador propõe ainda reduzir a carga regulatória e tributária de cartões de crédito – mercado dominado pelas empresas americanas Visa e a Mastercard.

“Instrumentos de pagamento privado carregam hoje um ônus regulatório e tributário que suprime a concorrência em vez de fomentá-la”, diz o texto do gabinete de Flávio. “Reduzir esse ônus […] ampliaria a escolha do consumidor, reduziria o custo das trocas voluntárias e apoiaria o crescimento econômico.”

O suposto prejuízo causado às firmas americanas pelo Pix foi um dos argumentos que embasou a investigação do USTR contra o Brasil.

O documento ainda propõe um “acordo zero-a-zero” no tema do etanol, virtualmente eliminando as tarifas brasileiras sobre o álcool americano. “Uma negociação de boa-fé entre as duas nações deve ser capaz de permitir que ambas as partes trabalhem em direção a um acordo recíproco de zero por zero para o etanol e o açúcar.”

O documento enviado por Flávio aos EUA destaca que ele é senador da República, figura proeminente da oposição e pré-candidato à Presidência. Também lembra que o senador se encontrou com Trump, com o vice JD Vance e com o secretário de Estado, Marco Rubio.

O texto sugere que os Estados Unidos suspendam, ao menos até a eleição, o processo de aplicação das tarifas de 25% propostas pelo USTR e abram uma mesa de negociação sobre os seis itens citados na investigação comercial: comércio digital, tratamento tarifário preferencial, corrupção, propriedade intelectual, etanol e desmatamento.

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