O cantar de galo do Neymar

A postura do Neymar diante do goleiro Nyland da Noruega será mais lembrada do que propriamente o pênalti que converteu
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Lembrei do galo que achava que fazia nascer o sol com o seu canto. Conhece esta estória?

Toda manhã era a mesma coisa na fazenda. Subia no poleiro, batia as asas e com toda força que tinha cantava para nascer o sol. Pouco depois o astro rei nascia e os animais sabiam que era hora de acordar. Como se fosse um músico regente, o galo com o seu canto fazia nascer o dia. Numa bela manhã ele dormiu demais e perdeu a hora. Acordou com as risadas dos animais. O sol estava posto e nada teve que ver com o cantar do galo.

O sol nasce, apesar do galo e não por causa dele.

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Durante muito tempo eu contei essa estória como se os animais da fazenda acreditassem que o sol nascia ao cantar do galo. Mas hoje a minha leitura mudou. Era o galo que acreditava que o seu canto fazia nascer o dia.

Os animais da fazenda não estavam enganados, toleravam todas as manhãs o companheiro impressionado com a própria voz.

Quanto ao galo empoleirado no lugar mais alto, foi do deslumbre ao desbunde.

A descoberta é dolorida, mas é libertadora. A desilusão é uma bênção!

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A copa dita dos protagonistas é a consagração da copa da publicidade. O futebol das bets é esporte de prateleiras que precisam de grandes nomes e de três intervalos para atender aos contratos de publicidade.

As paradas obrigatórias para hidratação dos jogadores (cooling breaks) de três minutos é a prova cabal que os estádios de futebol regidos pela FIFA foram transformados em templos.

Paradas obrigatórias para hidratação são intervalos comerciais.

Nada a ver com o condicionamento físico dos atletas. Pausa para louvação dos produtos em oferta.

Os gestos de orações dos atletas, quer sejam cristãos ou muçulmanos, acontecem nos gramados comuns. Estádios transformados em templos em que devoções se misturam ao júbilo do consumo e ao êxtase das apostas.

Dizem que o canto do galo é um comportamento instintivo de demarcação de território e hierarquia.

Peito estufado é um gesto que na nossa cultura geralmente significa arrogância.

Na última coreografia do Neymar nas Copas, descobriu que a sua a magia acabou. O jogo não é sobre ele.  Converteu um pênalti de cavadinha nos acréscimos. E daí?

A Copa dos Protagonistas (Mbappé, Salah, Messi, Cristiano, Vinícius, Yamal, Haaland, Lukaku, Kane…) segue a lógica da publicidade que arruma as peças nas prateleiras como estratégia de venda.

Pausa para hidratação neste cenário de galos e astros faz parte da liturgia no culto regido pela FIFA.

O cantar de galo do Neymar antecedeu o último ato da Seleção Brasileira na Copa do Mundo da FIFA de 2026.

Sugestão de legenda para faixa na testa na Copa do Mundo de 2030: O cantar de galo precede a eliminação.

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