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Por Cleber Lourenço e Jamil Chade

Um telegrama do Itamaraty obtido pela reportagem revela que o Banco Master buscou se aproximar diretamente da agenda internacional do governo federal para impulsionar sua estratégia de expansão no exterior. O documento indica que a instituição tentou integrar delegações oficiais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em viagens a Portugal e Angola, com o objetivo de ampliar sua atuação comercial nesses mercados.

O registro consta em um telegrama do Escritório de Representação do Itamaraty em São Paulo (ERESP), datado de 17 de abril de 2023, considerado um dos mais relevantes do conjunto analisado por conectar diferentes frentes da estratégia internacional do banco.

No documento, a embaixadora Irene Vida Gala relata que, durante uma reunião virtual realizada em 4 de abril daquele ano, a pedido do próprio banco, André Barbieri Perpétuo, representante do Banco Master, manifestou interesse em integrar as delegações do governo brasileiro nas viagens oficiais do presidente a Portugal e Angola.

Aproximação com o continente africano

A viagem de Lula não era apenas mais uma. Depois de quatro anos de governo de Jair Bolsonaro, o Itamaraty havia recebido a instrução do novo presidente para voltar a dar importância para a aproximação ao continente africano. Aquela, portanto, seria a primeira missão liderada por um presidente brasileiro à África em anos. Angola ainda foi escolhida de forma estratégica e uma delegação de 130 empresários desembarcou em Luanda naquela ocasião.

Segundo o telegrama, Perpétuo explicou que a participação na comitiva teria finalidade comercial. Naquele momento, o banco operava sem qualquer tipo de investigação.

A presença nas viagens permitiria ao Master ampliar sua atuação junto a potenciais clientes brasileiros residentes nos dois países, aproveitando a agenda oficial para fortalecer sua estratégia de internacionalização.

O movimento aparece diretamente relacionado ao momento vivido pelo banco naquele período. Em 2023, o Master buscava acelerar sua expansão internacional e consolidar presença fora do Brasil, em meio a uma estratégia mais ampla de crescimento e diversificação de negócios. Um dos principais eixos dessa estratégia era a tentativa de aquisição de 100% das ações do BNI Europa, operação que, se aprovada pelo Banco de Portugal, permitiria ao banco estabelecer uma base no continente europeu.

A partir dessa presença em Portugal, o banco também vislumbrava ampliar sua atuação em Angola, aproveitando a conexão histórica e financeira entre os dois países e a presença de clientes brasileiros nesses mercados. Nesse contexto, a participação em viagens presidenciais surgia como uma oportunidade de acessar redes de relacionamento, fortalecer sua imagem institucional e abrir portas comerciais em dois mercados considerados estratégicos.

Além do pedido para integrar as missões presidenciais, o representante do banco informou que pretendia:

  • realizar visitas de cortesia às embaixadas brasileiras em Lisboa e Luanda;
  • reunir-se com funcionários do Itamaraty nas áreas comercial e de África;
  • apresentar o projeto de internacionalização do Banco Master;
  • estreitar o relacionamento institucional para apoiar a expansão das operações da instituição.

Os trechos do telegrama mostram que a estratégia envolvia não apenas a expansão comercial direta, mas também a construção de interlocução com o governo brasileiro e suas representações no exterior, em paralelo a outras iniciativas identificadas pela reportagem.

O documento deixa claro que o interesse do banco estava diretamente ligado ao processo de expansão internacional e ao fortalecimento de sua atuação em Portugal e Angola. Ao mesmo tempo, registra apenas o pedido apresentado ao Itamaraty. Não há qualquer indicação de que o Banco Master tenha sido incluído nas delegações presidenciais, quem eventualmente teria participado das viagens ou se o governo brasileiro atendeu à solicitação.

O Itamaraty foi questionado pela reportagem sobre se o pedido foi acatado, quais critérios são adotados para a composição de delegações oficiais e se representantes do Banco Master participaram das viagens mencionadas. Até o momento da publicação, não houve resposta.

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