Por Cleber Lourenço
A promessa feita por Flávio Bolsonaro de tornar pública a prestação de contas do filme Dark Horse continua sem ser cumprida. Nesta quarta-feira (22), completam-se 34 dias desde o fim do prazo estabelecido pelo próprio senador para divulgar os documentos sobre a arrecadação e a aplicação dos recursos do projeto.
A promessa foi feita em 19 de maio, quando Flávio afirmou que a produtora responsável apresentaria a prestação de contas “em até 30 dias”. O prazo expirou em 18 de junho. Desde então, nenhum relatório financeiro foi divulgado publicamente.
Ao todo, já se passaram 64 dias desde o compromisso assumido pelo senador.
A ausência de transparência ocorre justamente em torno de um projeto que se transformou em tema de intenso debate político. Desde o lançamento da campanha de arrecadação, Dark Horse foi apresentado como uma produção voltada a denunciar uma suposta perseguição ao ex-presidente Jair Bolsonaro e ao bolsonarismo. O financiamento coletivo mobilizou apoiadores e levantou questionamentos sobre o destino dos recursos arrecadados.
Foi nesse contexto que Flávio Bolsonaro prometeu divulgar a prestação de contas. A iniciativa foi apresentada como uma resposta às cobranças por maior transparência sobre o financiamento do documentário.
Mais de um mês após o vencimento do prazo, porém, a documentação continua indisponível. Também não houve, até o momento, anúncio de uma nova data para a divulgação das informações nem explicação pública para o atraso.
A demora contrasta com o discurso recorrente do próprio senador em defesa da transparência na gestão de recursos e mantém abertas as dúvidas sobre valores arrecadados, despesas realizadas e a destinação do dinheiro obtido durante a campanha de financiamento.
O atraso também ocorre em meio ao avanço das investigações relacionadas ao caso Dark Horse, que passou a integrar o debate político e jurídico envolvendo integrantes do entorno bolsonarista. Nesse cenário, a prestação de contas prometida ganhou relevância não apenas para apoiadores do projeto, mas também como elemento de esclarecimento sobre a condução financeira da produção.
Até a publicação desta reportagem, Flávio Bolsonaro e a produtora responsável pelo filme não haviam disponibilizado a prestação de contas prometida nem informado quando os documentos serão tornados públicos.