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Por Carolina Linhares

(Folhapress) – O debate da TV Bandeirantes entre candidatos ao Governo do Distrito Federal, realizado neste domingo (9), teve dobradinhas e cobranças à atual governadora Celina Leão (PP), que tenta a reeleição, principalmente em relação ao BRB (Banco de Brasília).

O programa opôs Celina, que tem o apoio de Flávio Bolsonaro (PL), aos candidatos apoiados por Lula (PT): o ex-deputado distrital Leandro Grass (PT) e Ricardo Cappelli (PSB), que foi interventor federal no DF após os ataques do 8 de janeiro.

Também participaram o ex-governador José Roberto Arruda (PSD), a deputada distrital Paula Belmonte (PSDB) e Kiko Caputo (Novo), ex-presidente da OAB-DF.

A situação do BRB foi um dos principais temas do debate, já que o próximo eleito vai herdar a crise da instituição, controlada pelo Governo do DF. O banco público, afetado pelo escândalo do Banco Master, negocia um empréstimo de R$ 6,6 bilhões do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) para cobrir o rombo deixado pelas operações com a instituição financeira de Daniel Vorcaro.

Celina afirmou ter sido contra a aquisição do Master pelo BRB, articulada pela gestão Ibaneis Rocha (MDB), de quem ela era vice. “Como vice-governadora, a gente não consegue mudar a decisão do governo. […] Eu não sou responsável pelos erros de Ibaneis”, disse ela.

A governadora cobrou que os candidatos ligados ao governo federal também ajudassem a viabilizar o empréstimo ao BRB por meio de garantias da União. “Estou sozinha tentando salvar um banco”, disse ela.

Arruda, da mesma forma, questionou o candidato petista sobre a possibilidade de o governo Lula usar o FCO (Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste) para salvar o BRB, mas Grass respondeu que o pagamento do rombo deve ser feito por quem o provocou.

O ex-governador afirmou que “estão empurrando o BRB com a barriga para depois da eleição”. Já o petista afirmou que falta credibilidade e transparência e que o servidor vai pagar a conta do arrocho fiscal para salvar o BRB, uma vez que os reajustes serão congelados até que o empréstimo seja quitado.

Celina foi eleita como vice de Ibaneis, que deixou o cargo de governador em março passado para concorrer ao Senado, mas desistiu. No debate, porém, ela se posicionou como oposição ao ex-governador: “não sou apêndice de Ibaneis, eu sou um novo projeto, sou Celina Leão”.

Palanques de Lula, Cappelli e Grass fizeram dobradinha para atacar Celina, por exemplo, em relação à segurança pública. O candidato do PSB disse ainda ter sido atacado pela governadora e devolveu: “Ela foi vice do Ibaneis, agora fala mal do Ibaneis; ela vai trocando de pele a cada eleição”.

Kiko Caputo disse que não se pode resolver a questão do BRB “fazendo acordo em prejuízo dos servidores públicos”. Paula afirmou que, se vencer a eleição, vai fazer com que o banco “em vez de patrocinar esporte em Dubai patrocine o empreendedor de Brasília”.

Outro tema que uniu os candidatos em crítica à atual gestão foi a saúde do DF. “[Uma] senhora não quer saber se o médico que vai atender ela é de esquerda ou de direita”, disse Cappelli, se defendendo por ter sido chamado de candidato de esquerda por Caputo e emendando ter orgulho de ser do partido do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).

O candidato do Novo mencionou seu presidenciável, Romeu Zema, ao defender “choque de gestão e de honestidade”. “É fila para cirurgia, para exame, para buscar remédio. Isso é fruto de uma gestão terrível e de uma corrupção endêmica”, disse ele, chamando a gestão Celina de “direita fake”.

Celina, em resposta, disse ter contratado 700 médicos. Em outros momentos, ressaltou ter reequilibrado as contas do governo e zerado as filas de creche.

“É um debate bem ensaiado, eu sou o alvo, uma caça à leoa, mas na selva quem caça é a leoa. Eles atacam a governadora de quatro meses como se eu fosse governadora há oito anos, é um desrespeito com a biografia de uma mulher”, disse Celina.

Grass também fez questão de se associar a Lula, afirmando que o governo federal está ampliando o metrô em Samambaia. Ele prometeu implementar tarifa zero e disse que o DF “tem um dos piores sistemas de transporte do mundo, […] tem lugares que não têm linhas de ônibus”.

Paula ainda travou um embate com Celina a respeito de políticas para mulheres. Arruda, por sua vez, prometeu nomear professores concursados no primeiro dia de governo por meio de cortes em cargos comissionados.

O ex-governador, que estava afastado da política há 15 anos, foi senador e deputado federal, mas corre o risco de não ter a candidatura validada pela Justiça Eleitoral devido à Lei da Ficha Limpa.

Governador do Distrito Federal entre 2007 e 2010 e pivô do mensalão do DEM, Arruda foi preso e condenado em processos derivados da Operação Caixa de Pandora, de 2009, quando foi filmado recebendo um maço de dinheiro. Como ele tem um recurso sem julgamento há anos, a pena de inelegibilidade não começou a ser cumprida ainda.

O debate, realizado no Sesc Ceilândia, teve duração de cerca de duas horas e misturou perguntas programáticas da Band, perguntas de eleitores e confronto direto entre os oponentes. A rodada de debates para o governo estadual realizada pela TV Bandeirantes em 12 estados e no DF neste domingo foi a primeira das eleições deste ano. A campanha eleitoral começa oficialmente no próximo domingo (16).

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