CPTM pagará R$ 24,4 milhões à concessionária que teve linhas retomadas após pane

Aditivo cobre custos operacionais desde 24 de julho, diz empresa pública
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Por Fábia Pescarini 

(Folhapress) – A CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) vai ressarcir a concessionária Trivia Trens em cerca de R$ 24,4 milhões pelos 90 dias em que a estatal paulista está responsável pela gestão das linhas 11-coral, 12-safira e 13-jade do trem metropolitano.

Em 23 de julho, uma falha no fornecimento de energia elétrica e um incêndio em um trem paralisaram as três linhas. Passageiros, que entraram em desespero, tiveram de sair da composição e caminhar pelos trilhos.

Os problemas fizeram o governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) devolver a gestão das linhas por ao menos 90 dias para a CPTM a decisão foi tomada dois dias após os ramais começarem a ser administrados pela concessionária Trivia Trens.

O extrato de aditamento, publicado na última sexta-feira (11), informa que o pagamento é a partir de 24 de julho, quando a CPTM retomou a gestão dos três ramais.

Segundo a companhia estatal, o valor é para ressarcimento de serviços contratados pela concessionária, como manutenção de elevadores e escadas rolantes, limpeza e outros custos operacionais das estações, que estão sendo utilizados pela CPTM desde a retomada da operação das linhas, em 24 de julho.

“Os valores não correspondem à remuneração da Trívia pela operação das linhas durante o período em que o serviço está sob responsabilidade da CPTM. O aditivo apenas prorroga a vigência do convênio”, diz a empresa pública, em nota.

A concessionária Trivia Trens assumiu o controle das três linhas em 21 de julho sob supervisão da CPTM.
O leilão que definiu a concessão ocorreu em março de 2025 e foi vencido pelo grupo Comporte Participações, criado por Nenê Constantino, da família fundadora da companhia aérea Gol.

A Trivia é a holding do grupo empresarial voltada ao setor de transporte, principalmente rodoviário. Os investimentos previstos nas linhas 11, 12 e 13 são de R$ 14,3 bilhões. A concessão prevê a construção de estações e extensões das linhas. Pelo contrato, a Trívia também ficará responsável pela manutenção das 92 composições outros 15 trens serão incorporados à frota de forma gradual.

No dia da pane nas três linhas, Tarcísio ameaçou decretar caducidade da concessão se a Trivia Trens não cumprir o contrato. “Acho que a empresa precisa se preparar melhor para assumir esse encargo, esse ônus”, disse o governador.

Em 28 de julho, o Ministério Público de São Paulo abriu um inquérito civil para apurar as falhas.
A portaria que autorizou a abertura de inquérito foi assinada pela promotora Patrícia de Carvalho Leitão, da 4ª Promotoria de Justiça do Consumidor da Capital.

O inquérito tem prazo de um ano para ser concluído, podendo ser renovado por mais um.
Ele foi aberto após o Ministério Público ter sido acionado por três pessoas: um usuário da linha 11-coral, a deputada federal Erika Hilton (PSOL) e a ativista de direitos humanos Sofia Favero.

“Segundo consta, desde a assunção da operação pela concessionária Trivia Trens S.A., em 21/07/2026, foram registradas mais de sete falhas operacionais graves em apenas três dias de gestão, com risco ao bem-estar, à integridade física e psicológica dos usuários”, diz parte do trecho da portaria. O documento faz uma cronologia dos problemas.

No mês passado, trabalhadores da CPTM entraram em greve devido à concessão das linhas. Em resposta, Tarcísio enviou para a Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) um projeto de lei que garantiu o remanejamento dos ferroviários dos três ramais.

Problema paralisou três linhas

A falha em um trem por volta das 5h40 provocou uma ocorrência elétrica entre as estações Tatuapé e Brás envolvendo a linha 12, segundo a empresa. A circulação foi interrompida e os passageiros precisaram andar pelos trilhos até chegar às estações.

Uma apuração técnica foi iniciada na época para descobrir o que causou a falha. O resultado da investigação não foi informado.

Em nota no dia do caos no transporte, a Trivia Trens disse que a subestação envolvida no problema e que alimenta a linha 12 foi desligada por segurança. As linhas 11 e 13 também foram interrompidas até a resolução do problema, à tarde.

“A prioridade desde o primeiro momento foi a segurança das pessoas e a rápida mobilização de equipes para o restabelecimento da operação no menor tempo possível”, afirmou a concessionária.

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