O faixa-preta de jiu-jítsu, Willian “Kabuto” Hiroyuki Masuda, perdeu os movimentos das pernas após sofrer um golpe durante uma luta no torneio Super Pro Jiu-Jitsu, no Ginásio de Esportes Moringão, em Londrina (PR). A manobra gerou uma grave lesão na coluna cervical do atleta, fazendo com que Masuda perdesse a sensibilidade dos membros inferiores na hora.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Masuda agradeceu as mensagens e orações recebidas e afirmou que ainda precisa de tempo para processar o que aconteceu. Ele recebeu alta hospitalar e segue o tratamento em casa, sob acompanhamento médico.
“Por mais que eu esteja em casa, ainda preciso de tempo isolado. Tanto pelos cuidados que eu preciso e também por mim mesmo, que eu ainda estou tentando processar tudo isso. Eu estou tentando me recuperar. Estou tentando melhorar cada coisa para que a minha cabeça fique bem. […] Obrigado por acompanhar. Obrigado pelas orações e até a próxima”, disse o lutador.
Durante a competição, Masuda enfrentava o também faixa-preta, Juliano Di Pelli Machado, em uma luta na modalidade no-gi — em que os competidores se enfrentam sem kimono. O movimento aplicado durante o combate provocou fraturas nas vértebras C5 e C6. Segundo relatos apresentados à Polícia Civil, a técnica utilizada seria proibida pelas regras do esporte.
O diagnóstico do atleta não foi divulgado. Marcus Valério Costa, neurocirurgião da equipe médica que acompanha o caso, explicou que trata-se de um processo de recuperação longo.
Em outro vídeo publicado no perfil de Masuda, é perceptível que ele consegue movimentar os antebraços. Porém, ainda não consegue controlar pulsos, mãos e não possui sensibilidade em outras partes do corpo abaixo do peito.
Atualmente, o faixa-preta permanece em isolamento e recebe visitas somente de familiares e amigos próximos.
Confira o depoimento de Masuda
Golpe ilegal
O caso é investigado pela Polícia Civil do Paraná como possível lesão corporal de natureza gravíssima. Três professores de jiu-jítsu ouvidos no inquérito afirmaram que o golpe aplicado durante a luta é proibido na modalidade. Depoimentos dos lutadores envolvidos, no entanto, serão colhidos e outras apurações serão feitas para comprovar, ou não, a ilegalidade.
Entre as informações que constam na investigação, uma chama atenção: a diferença de estatura e peso entre os dois atletas, que chega a aproximadamente 40 quilos.
“Ocorre que, em ato de elevada periculosidade, flagrante a qualquer atleta ou espectador comum, o noticiado JULIANO projetou-se completamente, deixando cair todo o seu peso corporal sobre o corpo da vítima Willian ‘Kabuto’, de uma só vez, lesionando severamente a vítima em posição grave de submissão”, diz um dos documentos da apuração da polícia.
No dia 4 de setembro, o delegado Roberto Fernandes disse que havia solicitado documentos do evento, imagens completas do combate e informações sobre as regras utilizadas na competição, fichas cadastrais e alvarás.
A defesa que representa Juliano Di Pelli Machado, disse que aguarda as respostas da organização do evento à notificação da defesa e a conclusão das diligências pelas autoridades. Segundo eles, o lutador soube da alta hospitalar de William e “recebeu a informação com alívio”.
No dia 24 de agosto, a defesa de Juliano lançou uma nota dizendo que o faixa-preta possuí “absoluta disposição em colaborar com toda e qualquer apuração, prestando os esclarecimentos que lhe forem solicitados pelas autoridades competentes”.
A organização do Super Pro Jiu-Jitsu lançou uma nota oficial publicada em rede social, onde disse acompanhar a situação e que está “prestando o suporte cabível, e reitera seu compromisso com a segurança e o cumprimento de todos os protocolos”.