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A vitória do Partido Democrata nas eleições legislativas dos Estados Unidos, realizadas na terça-feira (3), pode enfraquecer a política de tarifas comerciais do presidente Donald Trump e ampliar o espaço de negociação para países como Brasil, China, Índia, Japão e Coreia do Sul.

Com a conquista da maioria na Câmara dos Representantes e no Senado, os democratas passam a ter maior capacidade de fiscalizar a Casa Branca e tentar limitar novas medidas comerciais.

O resultado representa um revés para Trump, que utiliza o aumento de impostos sobre produtos importados como instrumento de pressão sobre parceiros comerciais. A política tarifária, somada aos efeitos da guerra contra o Irã, tem contribuído para a alta dos preços e para a insatisfação dos consumidores americanos.

Apesar da mudança no Congresso, o tarifaço não será automaticamente suspenso. Trump ainda dispõe de instrumentos legais para impor taxas, e especialistas divergem sobre como o presidente reagirá ao enfraquecimento de sua base parlamentar.

O que pode mudar para o Brasil?

Para o Brasil, o novo equilíbrio de forças em Washington pode dificultar a adoção de tarifas adicionais e ampliar a possibilidade de contestação das medidas comerciais do governo americano.

Segundo Marcos Praça, diretor de Análise da ZERO Markets Brasil, o Congresso controlado pelos democratas poderá reagir com maior rapidez a iniciativas que prejudiquem parceiros comerciais dos Estados Unidos.

Entretanto, Trump ainda pode recorrer a mecanismos previstos na legislação americana, como a Seção 232, que autoriza tarifas por razões de segurança nacional, e a Seção 301, utilizada contra práticas comerciais consideradas desleais.

Em fevereiro, a Suprema Corte dos EUA derrubou tarifas impostas com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA). A decisão, porém, não atingiu medidas fundamentadas nas Seções 232 e 301.

Na prática, o Brasil pode encontrar um ambiente mais favorável para negociar, mas não há garantia de retirada das tarifas já aplicadas aos produtos nacionais.

Japão, Coreia do Sul e Índia podem ganhar espaço

A mudança no Congresso também pode afetar compromissos comerciais assumidos por países asiáticos para evitar tarifas mais elevadas.

Japão e Coreia do Sul prometeram investimentos de US$ 550 bilhões e US$ 350 bilhões, respectivamente, nos Estados Unidos. Especialistas avaliam que a derrota republicana pode reduzir a pressão para que esses recursos sejam destinados rapidamente a projetos americanos.

A Coreia do Sul já enfrenta divergências com Trump sobre investimentos prometidos, incluindo um projeto de infraestrutura para transporte de gás natural no Alasca.

A Índia, por sua vez, ainda negocia um acordo comercial com Washington. Em fevereiro, os dois países chegaram a um entendimento que reduziu de 50% para 18% as tarifas sobre a maioria dos produtos indianos.

Com o fortalecimento dos democratas, o governo indiano poderá adotar uma postura mais cautelosa antes de assumir novos compromissos, embora a mudança não garanta maior flexibilidade de Trump.

China pode negociar, mas enfrenta restrições tecnológicas

A China também acompanha os efeitos da derrota republicana. Os dois países mantêm uma trégua comercial temporária, prevista para terminar em janeiro.

O enfraquecimento político de Trump pode dar a Pequim maior margem para negociar condições comerciais. Entretanto, o controle democrata do Congresso também poderá dificultar concessões americanas em setores estratégicos.

Entre os principais pontos de disputa estão as exportações de semicondutores e tecnologias de inteligência artificial, áreas em que parlamentares democratas podem defender restrições mais rigorosas à China.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Mao Ning, afirmou nesta quarta-feira (4) que as eleições são um assunto interno dos Estados Unidos e que Pequim continuará buscando administrar as divergências com Washington.

Trump ainda pode impor novas tarifas?

Mesmo sem a maioria no Congresso, Trump mantém instrumentos legais para aplicar tarifas sobre produtos estrangeiros. O Legislativo, porém, poderá ampliar a fiscalização sobre essas decisões e tentar restringir determinadas medidas.

O novo cenário abre espaço para negociações comerciais, mas também pode levar o presidente americano a intensificar a pressão sobre outros países para defender sua política econômica.

As próximas movimentações devem ocorrer ainda em novembro, durante a viagem de Trump à Ásia, que inclui encontros com líderes regionais e participação no Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), na China.

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