O dólar comercial encerrou esta quarta-feira (4) em queda de 0,64%, cotado a R$ 5,4511 na venda. A moeda americana perdeu força diante do real após a vitória do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, que representou uma derrota política para o presidente Donald Trump.
O recuo acompanhou o movimento internacional da divisa. Por volta das 17h, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar diante de uma cesta de seis moedas, incluindo o euro e a libra, caía 0,28%, aos 101,59 pontos.
Com a conquista da maioria democrata na Câmara dos Representantes e no Senado, investidores passaram a reavaliar os rumos da política econômica americana. O resultado pode dificultar iniciativas de Trump e ampliar os impasses no Congresso sobre o financiamento do governo e o teto da dívida pública.
A queda interrompeu uma sequência de três sessões de valorização do dólar frente ao real, período em que a moeda havia acumulado alta de aproximadamente 2,75%.
Decisão sobre juros no Brasil também influencia mercado
No cenário doméstico, os investidores acompanharam a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), responsável por definir a taxa básica de juros do país.
A Selic está em 13,75% ao ano, e a expectativa predominante no mercado era de manutenção desse patamar, diante das preocupações com a inflação e as contas públicas.
Segundo dados das opções negociadas na B3, divulgados pelo Money Times, havia uma probabilidade implícita de 72,5% de manutenção dos juros e de 26% de redução de 0,25 ponto percentual.
A decisão do Copom estava prevista para depois do fechamento do mercado financeiro desta quarta-feira.
Mercado de trabalho mostra sinais de desaceleração
Outro indicador acompanhado pelos investidores foi o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que registrou a criação de 121.305 empregos formais em setembro.
O resultado ficou abaixo das expectativas do mercado e reforçou a avaliação de que a economia brasileira apresenta sinais graduais de desaceleração, em um contexto de juros elevados.
A combinação entre o cenário internacional, os indicadores de emprego e a expectativa pela decisão do Banco Central influenciou as negociações do dólar ao longo do dia.
Apesar da queda desta quarta-feira, investidores continuam acompanhando as perspectivas para a política econômica brasileira e as próximas decisões sobre juros nos Estados Unidos.