‘Big techs’ norte-americanas estão na mira de Lula se Trump taxar mesmo o aço

Governo Lula já começa a preparar uma lista de produtos importados dos EUA que poderiam ser retaliados
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Com a notícia de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve taxar o aço e o alumínio em 25%, medida que atinge em cheio as exportações brasileiras, o governo do presidente Lula (PT) deve revidar taxando as big techs, empresas de tecnologia como Google, Meta, dona do Facebook e Instagram, entre outras. A informação é da coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo.

A estratégia a ser adotada pelo Brasil também tem sido usada por países vítimas do tarifaço de Trump, como a China e a União Europeia, que estão prometendo uma ofensiva contra as empresas de tecnologia, cujos donos estavam ao lado de Trump em sua posse.

As empresas que poderiam ser alvos de uma possível taxação do Brasil são Amazon, Facebook, Instagram, Google e Spotify. Serviços de streaming de música, podcasts e vídeos, por exemplo, têm diversos assinantes sem pagar impostos no Brasil.

Trump anunciou no domingo (9) que vai elevar as tarifas para o aço e alumínio de todos os países. A decisão será assinada nesta segunda-feira (10) e vai colocar uma taxa de 25% sobre esses produtos.

A medida de Trump afeta diretamente o Brasil, que é o segundo maior exportador de aço para os EUA: 48% do total de tudo o que o país vende no exterior são direcionados ao mercado norte-americano, num total de US$ 5,7 bilhões em 2024.

O setor privado brasileiro e o governo Lula já vinham se preparando nesse sentido. Lula, aliás, já tinha dito que revidaria sobretaxando produtos importados dos Estados Unidos. No entanto, a posição do Brasil não é muito confortável. Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China. No entanto, a balança comercial do Brasil é deficitária em relação aos EUA, ou seja, o país compra mais do que exporta para lá.

O aço era justamente a grande fonte de preocupação do governo brasileiro. Outro era o mercado de etanol. Há uma pressão para que o Brasil, que é pioneiro nesse biocombustível derivado da cana-de-açúcar, abra o mercado para o produto norte-americano, produzido a partir do milho.

Governo Lula já prepara uma lista de potenciais produtos a serem sobretaxados

De acordo com informações da coluna de Mônica Bergamo, na Folha, o governo Lula já começa a preparar uma lista de produtos importados dos EUA que poderiam ser retaliados, caso as exportações nacionais sejam mesmo afetadas com tarifas.

Antes do anúncio da véspera, Trump já havia citado em duas ocasiões o Brasil como exemplo de locais onde as tarifas contra produtos americanos são elevadas e onde os EUA não seriam tratados de forma “justa”.

Mas levantamento da Amcham (Câmara Americana de Comércio) mostra que o superávit da balança comercial entre os dois países é superavitário em favor dos EUA há uma década.

Em 2024, as exportações brasileiras para os EUA atingiram um volume recorde de US$ 40,3 bilhões. Por outro lado, as importações brasileiras provenientes dos EUA totalizaram US$ 40,6 bilhões, aumento de 6,9% em relação a 2023.

Porém, a taxa média de importação imposta pelos EUA é de cerca de 2,2%, ante 6,7% no caso do Brasil. Em relação ao comércio bilateral, o governo norte-americano aplica uma tarifa média de 1,5% aos bens brasileiros, contra uma taxa de 11,2% do Brasil sobre os itens americanos.

Ainda que já esteja se preparando para o revide, o governo Lula aguarda a concretização do anúncio de Trump, para evitar entrar uma guerra comercial aberta contra os EUA.

Taxação das plataformas

Apesar da cautela momentânea, o governo brasileiro não pretende agir passivamente se a medida for mesmo concretizada, a exemplo do que fizeram México, Canadá e China, os primeiros atingidos pelo tarifaço de Trump.

Os três países reagiram ao ataque de Trump. Nos dois primeiros casos, houve acordo para suspensão temporária das tarifas. Como ainda não houve negociação com o governo chinês, o gigante asiático já partiu para o contra-ataque, colocando em prática as tarifas impostas a produtos norte-americanos passaram a valer.

A China também já antecipou que pretende iniciar uma investigação antitruste contra a Alphabet Inc., dona do Google. Também incluiu a PVH Corp, holding de marcas como Calvin Klein, e a empresa de biotecnologia americana Illumina em sua “lista de entidades não confiáveis”.

O Brasil, por sua vez, estuda taxação a plataformas digitais, conhecida como “digital tax”, que, na avaliação de uma fonte do governo à coluna de Mônica Bergamo, teria diversas vantagens sobre qualquer outra medida.

Entre as medidas, estão a adoção da taxa sobre as plataformas que já vem sendo debatida na OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e alguns países, como o Canadá, já avançaram em sua implantação.

No Brasil, ela está sendo discutida há vários meses, e poderia ser implantada de forma quase imediata. “Viria a calhar”, disse essa autoridade à coluna.

Além disso, a taxação não prejudicaria setores industriais brasileiros, pois não afeta os insumos usados pela indústria do país. E, na avaliação do governo, essa medida teria apoio de grandes representantes da indústria e do varejo.

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